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Açúcar é encontrado no espaço pela primeira vez e descoberta pode explicar origem da vida

Pesquisadores identificaram a eritrulose, um açúcar de quatro carbonos, em uma nuvem interestelar da Via Láctea; até então, substâncias semelhantes haviam sido encontradas apenas em corpos espaciais

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Imagem do centro da Via Láctea • NASA/Caltech/Susan Stolovy

Pela primeira vez, cientistas detectaram um açúcar verdadeiro no espaço interestelar. A molécula, chamada eritrulose, foi identificada em uma gigantesca nuvem de gás e poeira localizada próximo ao centro da Via Láctea, a cerca de 26 mil anos-luz da Terra. A descoberta foi publicada nesta segunda-feira (13) na revista Nature Astronomy, reforça a hipótese de que ingredientes fundamentais para o surgimento da vida podem ter sido produzidos no espaço muito antes da formação dos planetas.

A molécula identificada é a eritrulose, um açúcar com quatro átomos de carbono considerado o mais complexo já detectado nesse ambiente. Os pesquisadores acreditam que ela se forma na superfície de minúsculos grãos de poeira cósmica revestidos por gelo. Com o nascimento de novas estrelas, essas moléculas são liberadas para o espaço, podendo posteriormente ser incorporadas a cometas, asteroides e planetas em formação.

Até agora, astrônomos haviam encontrado compostos relacionados aos açúcares, como o glicolaldeído, mas não um açúcar verdadeiro segundo a classificação química. A identificação da eritrulose demonstra que reações químicas capazes de produzir moléculas cada vez mais complexas ocorrem naturalmente no espaço.

Para os cientistas, o resultado fortalece a teoria de que parte dos ingredientes necessários ao aparecimento da vida pode ter chegado à Terra transportada por asteroides e cometas durante os primeiros bilhões de anos do Sistema Solar. Se moléculas como a eritrulose são comuns na Via Láctea, elas também podem estar presentes em sistemas planetários distantes, ampliando as possibilidades de ambientes favoráveis ao desenvolvimento da vida em outras regiões do Universo.

Antes mesmo da nova descoberta, cientistas já haviam encontrado moléculas de açúcar em materiais do Sistema Solar. Em 2024, a NASA anunciou que amostras do asteroide Bennu, trazidas à Terra pela missão OSIRIS-REx, continham compostos orgânicos, incluindo açúcares, além de blocos químicos considerados importantes para a formação da vida. A diferença é que esses açúcares estavam preservados em um corpo celeste. Agora, pela primeira vez, pesquisadores identificaram um açúcar verdadeiro no espaço interestelar, o ambiente formado por nuvens de gás e poeira entre as estrelas.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.