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Alerta na fronteira: larva que devora carne viva é detectada a 50 km dos EUA

Descoberta da mosca-da-bicheira no México acende sinal de alerta para pecuaristas americanos; prejuízo pode chegar a US$ 1,8 bilhão

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A larva de uma mosca parasita se alimenta de carne viva
A larva de uma mosca parasita se alimenta de carne viva • Aleksandr Grechanyuk/Shutterstock

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) emitiu um alerta sanitário nesta sexta-feira (29) após a confirmação de um caso de mosca-da-bicheira, uma praga cujas larvas se alimentam de carne viva, a menos de 50 quilômetros da fronteira com os EUA. O parasita foi identificado em uma ovelha de seis meses no estado de Coahuila, no México.

Esta é a detecção mais próxima do território americano desde o início do atual surto, intensificando a mobilização de autoridades e pecuaristas que tentam conter o avanço do inseto há mais de um ano.

O perigo da 'bicheira-do-Novo-Mundo'

A mosca-da-bicheira representa uma das maiores ameaças biológicas para a pecuária. O ciclo de infestação do parasita funciona da seguinte forma:

  • A infecção: as fêmeas da mosca depositam centenas de ovos em feridas abertas de animais de sangue quente.

  • O ataque: ao eclodirem, as larvas penetram no tecido e passam a devorar a carne viva do hospedeiro.

  • A gravidade: embora os ataques a seres humanos sejam raros, a infestação em animais é devastadora e, se não for tratada rapidamente, é fatal.

Impacto econômico e inflação nos supermercados

A chegada da praga aos EUA pode desestabilizar o mercado de proteína vermelha. Atualmente, o rebanho bovino americano já enfrenta o menor nível em 75 anos, o que tem mantido os preços da carne em patamares recordes.

Especialistas apontam que uma eventual contaminação em massa reduziria drasticamente a oferta de gado, pressionando ainda mais a inflação dos alimentos. Somente no Texas, o maior produtor de gado do país, o USDA estima que um surto generalizado causaria um prejuízo de até US$ 1,8 bilhão.

Medidas de contenção: como barreira sanitária, os EUA mantêm restrições severas à importação de gado mexicano há mais de um ano.

A corrida contra o tempo

O governo americano tem investido milhões de dólares no desenvolvimento de uma arma biológica para combater a praga: instalações voltadas para a produção de moscas estéreis. A estratégia consiste em liberar esses insetos na natureza para interromper o ciclo de reprodução da espécie.

No entanto, as unidades fabris do USDA ainda não estão em operação, tornando o cenário na fronteira ainda mais crítico.

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Alex Araújo é formado em Jornalismo e Relações Públicas pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e tem pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial pela Universidade Pontifícia Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Já trabalhou em agência de publicidade, assessoria de imprensa, universidade, jornal Hoje em Dia e portal G1, onde permaneceu por quase 15 anos.