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Caso Assange: veja detalhes da saída da prisão de homem que vazou 700 mil documentos dos EUA

Audiência que pode deixar o homem livre deve acontecer nesta quarta-feira (26), nas Ilhas Marianas, território norte-americano no Pacífico

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi libertado da prisão no Reino Unido e deve passar por uma audiência final após alcançar um acordo judicial com as autoridades dos Estados Unidos, o que representa o fim de uma saga judicial de vários anos. O australiano, de 52 anos, “será um homem livre depois que o acordo for ratificado pelo juiz”, o que acontecerá nessa quarta-feira (26).

Julian Assange, deixou a prisão no Reino Unido nessa segunda-feira (24) após chegar a um acordo com a Justiça dos Estados Unidos para se declarar culpado em acusações de espionagem. “Julian Assange está livre”, anunciou o WikiLeaks em publicação no X (antigo Twitter).

Assange estava em uma prisão de segurança máxima, a Belmarsh, em Londres e pegou um avião, sendo o mesmo usado por Taylor Swift, quando atravessou o Oceano Pacífico com a aeronave para ver seu namorado jogar o Super Bowl, no início do ano. Segundo o WikiLeaks, um juiz das Ilhas Marianas, arquipélago na Micronésia de 50 mil habitantes, deve ratificar o acordo nessa quarta-feira (26). O homem é acusado de vazar 700 mil documentos confidenciais americanos desde 2010.

“Julian Assange está livre. Isso é o resultado de uma campanha global que abrangeu organizadores de base, defensores da liberdade de imprensa, legisladores e líderes de todo o espectro político, chegando até as Nações Unidas”, afirmou o WikiLeaks em comunicado no X (antigo Twitter).

O comunicado do WikiLeaks disse ainda que Assange passou mais de cinco anos em uma cela de 2x3 metros e isolado 23 horas por dia. Agora, ele se reunirá com sua esposa Stella Assange e seus filhos.

Acusações

Tudo começou em 2006, quando Assange criou um veículo de comunicação sem fins lucrativos chamado WikiLeaks, que publicou, segundo o próprio site, mais de 10 milhões de documentos confidenciais, fornecidos por fontes anônimas.

Os Estados Unidos depararam-se subitamente com um veículo de comunicação que revelou os documentos secretos vazados do Pentágono sobre as suas operações no Iraque e no Afeganistão, assim como a correspondência secreta do governo e das suas embaixadas em todo o mundo.

Em 2010, quando o WikiLeaks atingiu o pico de popularidade com os vazamentos, a Suécia exigiu a prisão de Assange sob a acusação de estupro de uma mulher durante uma visita a Estocolmo para participar em uma conferência. A acusação foi posteriormente retirada.

Assange negou a veracidade da acusação, mas em maio de 2012 um tribunal de Londres concordou com sua extradição para a Suécia.

Pouco depois, em junho de 2012, para evitar a extradição, Assange refugiou-se na embaixada do Equador em Londres, onde permaneceu por sete anos, durante o governo de Rafael Correa.
Com a chegada de Lenín Moreno ao poder no Equador, o país deixou de conceder asilo ao australiano e ele foi detido em abril de 2019 pela polícia britânica e levado para a penitenciária de segurança máxima de Belmarsh, no sudeste de Londres.

Quando será a audiência de Julian Assange?

A audiência será nas Ilhas Marianas do Norte, arquipélago na Micronésia de 50 mil habitantes, nessa quarta-feira (26). Perseguido pelas autoridades norte-americanas por ter divulgado centenas de milhares de documentos confidenciais, o australiano deve comparecer a um tribunal federal às 09h (20h no horário de Brasília).

Segundo a Justiça americana, a audiência será feita nas Ilhas Marianas do Norte por conta da proximidade das ilhas com a Austrália, país de Assange, e porque ele não quis viajar aos EUA. A audiência pode ser realizada lá porque os americanos têm um Tribunal Distrital nas Ilhas Marianas, que são um “estado livremente associado” aos EUA.

Julian pode ser condenado à prisão ou pode ser solto?

Sim, de acordo com a Justiça americana, na audiência o fundador do WikiLeaks deve ser sentenciado a 62 meses de prisão, mas por ter cumprido um tempo similar de prisão preventiva no Reino Unido ele deve retornar em liberdade para a Austrália.

Sua esposa, Stella Assange, expressou “imensa gratidão” aos que se mobilizaram por anos para conseguir transformar sua liberdade em “realidade”. Assange “será um homem livre depois que o acordo for ratificado pelo juiz” na quarta-feira, explicou à BBC sua esposa e mãe de seus dois filhos.

O acordo implica que seu marido se declare culpado de uma única acusação, que “diz respeito à obtenção e divulgação de informações sobre a defesa nacional”, explicou. Stella Assange revelou à agência britânica Press Association que seu marido pagou uma multa de 500.000 dólares pelo voo que o transporta de Londres para a Austrália.

O que acontecerá depois?

Após se declarar culpado e passar pela audiência nesta quarta-feira (26), Assange estará oficialmente liberado e espera-se que ele volte para a Austrália, país do qual é cidadão. O acordo, que encerra uma saga de quase 14 anos, que inclui sete anos de prissão na embaixada do Equador em Londres, foi anunciado duas semanas antes de uma audiência crucial nos tribunais britânicos.

Desde 2019, quando ele foi levado para uma prisão de segurança máxima em Londres, Assange lutava para não ser entregue à Justiça americana, que o persegue pela publicação de mais de 700 mil documentos confidenciais sobre atividades militares e diplomáticas, em particular no Iraque e Afeganistão.

O australiano, alvo de 18 acusações, enfrentava o risco de ser condenado a até 175 anos de prisão com base na Lei de Espionagem. O governo britânico aprovou a extradição em junho de 2022. Em maio, no entanto, dois juízes concederam o direito de apelação.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.
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