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Mais 30 mil foram infectados com HIV e Hepatite C na Inglaterra, diz relatório

Relatório indica que Governo e Serviço Nacional de Saúde foram responsáveis por tentar ocultar evidências

Um inquérito público do Reino Unido, o ‘Infected Blood Inquiry’, promovido por pessoas infectadas com Hepatite C e HIV enquanto passavam por tratamento no Serviço Nacional de Saúde (NHS, sigla em inglês), revelou que o Governo e o órgão encobriram e destruíram documentos sobre o assunto. As informações foram reveladas em um relatório publicado nesta segunda-feira (20).

Conforme o documento, mais de 30 mil pessoas foram infectadas com Hepatite C e HIV durante os anos de 1970 e início dos anos 1990. O presidente do conselho, Sir Brian Langstaff, afirmou que a situação foi uma calamidade e que não se trata de um acidente, de acordo com ele, vários documentos foram destruídos para encobertar o desastre. “A tragédia poderia ter sido grandemente, ou completamente evitada”, afirmou Langstaff em entrevista ao portal The Mirror.

Para ele, houve uma grande falha e negligência dos órgãos de saúde britânicos em entender os riscos de fazer transfusões com sangue contaminado. Ele entende que o Reino Unido teria tido menos mortes no Serviço Nacional de Saúde, se as autoridades tivessem adotado as medidas de seguranças aconselhadas pela Organização Mundial de Saúde em 1952.

Ocultação de evidências

Conforme o relatório, as vítimas da contaminação foram induzidas a acreditar estarem recebendo o melhor tratamento disponível. Além disso, o documento também informa que três blocos de documentos do Comitê Consultivo sobre a Segurança Virológica do Sangue, de processos sobre HIV e do escritório particular do ministro da saúde e da previdência sociais entre 1974 e 1976, Lord David Owen, foram destruídos ou desapareceram.

Negligência

Langstaff afirma que, em muitos casos, as vítimas das contaminações não foram informadas por meses e até anos que estavam infectadas. O que as impediu de controlar as doenças ou de infectar os entes queridos. Conforme o documento, quando as pessoas eram informadas sobre a infecção, a notícia era dada de forma insensível e rude.

Crianças utilizadas como ‘objetos de pesquisa’

O relatório também denuncia a infecção de crianças que estudavam em uma escola especializada em tratamento para hemofilia. Conforme o documento, dos 122 alunos que frequentaram o Lord Mayor Treloar College entre os anos 1970 e 1980, poucos não foram infectados e apenas 30 continuam vivos.

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Ana Luisa Sales é estudante de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente escreve para as editorias entretenimento, curiosidades e cidades.
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