Itatiaia

Porto Rico provoca problema ao usar mangustos da Índia para combater ratos

Animais foram introduzidos no século XIX para proteger plantações, mas se tornaram espécie invasora e, hoje, são transmissores de doença na ilha

Por
Mangustos indianos se tornam problema ao serem inseridos em Porto Rico.
Mangustos indianos se tornam problema ao serem inseridos em Porto Rico • Wikipédia

Uma estratégia criada para combater uma praga agrícola deu origem a um problema ambiental e de saúde pública em Porto Rico. Na década de 1870, mangustos indianos foram levados à ilha para controlar a população de ratos que atacava as plantações de cana-de-açúcar.

A ideia era introduzir um predador para eliminar outro animal. O problema é que o plano não funcionou como esperado. Os mangustos não conseguiram controlar os ratos de forma eficiente e, ao mesmo tempo, encontraram condições favoráveis para se espalhar pela ilha.

Cerca de 150 anos depois, os animais continuam presentes em Porto Rico e são considerados uma das principais fontes de transmissão da raiva entre mamíferos terrestres da ilha.

Em teoria, o mangusto indiano poderia reduzir a população de ratos sem a necessidade de métodos químicos ou armadilhas. Na prática, porém, havia um problema fundamental: os dois animais não tinham exatamente os mesmos horários de atividade.

Os mangustos são predominantemente diurnos, enquanto os ratos que atacavam as plantações tinham hábitos principalmente noturnos. Dessa forma, predador e presa podiam ocupar a mesma região sem necessariamente se encontrar com frequência.

Os ratos continuaram sendo uma ameaça para as plantações, enquanto os mangustos se adaptaram ao novo ambiente.

Sem depender exclusivamente dos ratos para sobreviver, os mangustos encontraram outras fontes de alimento. A dieta passou a incluir aves, répteis, anfíbios e pequenos animais nativos.

Os mangustos e a raiva

Décadas depois da introdução, surgiu outra consequência. Em 1950, Porto Rico registrou um grande surto de raiva associado a mangustos. Com o passar dos anos, esses animais se tornaram um dos principais reservatórios do vírus entre os animais terrestres da ilha.

Dados históricos indicam que os mangustos chegaram a representar mais de 70% dos casos de raiva registrados em animais em Porto Rico.

A situação é especialmente preocupante porque a raiva é uma doença viral extremamente grave. Depois do aparecimento dos sintomas, ela costuma ser fatal se não houver tratamento adequado após a exposição.

O problema não se limita aos animais silvestres. Pesquisadores estimaram que cerca de 280 pessoas sejam mordidas por mangustos em Porto Rico a cada ano.

Por

Pablo Paixão é graduado em Jornalismo, pela UFMG, e em Cinema e Audiovisual, pelo Centro Universitário UNA BH. Tem experiência em diferentes áreas da comunicação e marketing. Com passagem pela TV UFMG, na Itatiaia atuou inicialmente nas editorias de Entretenimento, Cultura e Minas Gerais. Atualmente, colabora com as editorias Pop e Carnaval.

 

 

Belo Horizonte