Estação antártica descobre seus contêineres flutuando em iceberg após nevasca
Um dos contêineres estava carregado com diesel e pode ter causado grave impacto ambiental

Sete grandes contêineres, incluindo um cheio de diesel e outros carregados de lixo, foram localizados em um iceberg com 500 metros de comprimento e 300 de largura na Antártida. Como eles foram parar ali e as consequências ambientais foram revelados em um relatório de autoridades antárticas da Alemanha.
“O governo alemão e o AWI (Instituto Alfred Wegener) lamentam profundamente o incidente e estão satisfeitos que ninguém tenha se ferido”, afirma o documento.
Como ocorreu o incidente?
A Estação Neumayer III, da Alemanha, está localizada sobre uma plataforma de gelo, cerca de 18 quilômetros para dentro do continente em relação ao mar. Em preparação para a chegada de um navio que recolheria os resíduos da estação, sete contêineres foram posicionados a algumas centenas de metros da costa congelada.
Os contêineres incluíam um com 9.500 litros de diesel ártico, quatro com resíduos não perigosos, outro com um gerador e combustível, e um que servia de abrigo para trabalhadores. Não havia sinais visíveis de fendas, rachaduras ou fissuras no gelo.
Ao longo da semana seguinte, entre 13 e 20 de janeiro, uma nevasca com ventos de 130 quilômetros por hora atingiu a região. Uma inspeção foi realizada no dia 21 de janeiro, quando as condições melhoraram.

“A equipe de logística descobriu que um iceberg medindo cerca de 500 metros por 300 metros havia se desprendido e derivado para o Mar de Weddell”, informou o relatório. “Infelizmente, todos os contêineres estavam sobre esse iceberg.”
No dia seguinte, a tripulação de um navio alemão avistou o iceberg e os sete contêineres. “O navio interrompeu imediatamente suas pesquisas científicas e seguiu até o iceberg, que havia derivado cerca de 140 km a sudeste do porto de gelo de Neumayer.”
Helicópteros foram então usados para recolher quase 1 tonelada de equipamentos, incluindo três tambores contendo cerca de 580 litros de diesel ártico, além de cilindros de gás e baterias.
“À medida que aumentava o risco de o iceberg se partir, tornou-se impossível proteger mais carga sem colocar vidas humanas em risco”, afirmou o relatório. “Por isso, as tentativas de resgate foram interrompidas e o material restante teve de permanecer no iceberg”.

O fim dos contêineres
Por fim, o relatório afirma o possível fim levado pelos contêineres. “Pode-se presumir que o iceberg tenha se desintegrado pouco depois e que os contêineres tenham afundado até o fundo do mar”.
O documento sugere que os quatro contêineres com itens domésticos e lixo teriam “pouco impacto direto no ecossistema”. No entanto, o contêiner cheio de combustível representa um risco muito maior e o diesel deve ter vazado para o oceano.
“Pode-se presumir que o combustível permanecerá no sistema por um período mais longo. Os impactos reais sobre o ecossistema dependem em grande medida das condições locais e, por isso, não podem ser quantificados com precisão”, conclui o texto.
Pablo Paixão é graduado em Jornalismo, pela UFMG, e em Cinema e Audiovisual, pelo Centro Universitário UNA BH. Tem experiência em diferentes áreas da comunicação e marketing. Com passagem pela TV UFMG, na Itatiaia atuou inicialmente nas editorias de Entretenimento, Cultura e Minas Gerais. Atualmente, colabora com as editorias Pop e Carnaval.
