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UFJF divulga carta de retratação histórica por uso de corpos do Hospital Colônia

Universidade utilizou corpos de falecidos para aulas de anatomia na área da saúde entre 1962 e 1971

Por, Juiz de Fora
HOSPITAL-COLÔNIA DE BARBACENA • Governo de Minas/ Arquivo

A UFJF publicou nesta segunda-feira(18) uma carta de desculpas à sociedade por ter utilizado cadáveres de pacientes do Hospital Colônia, em Barbacena, para estudos de anatomia em cursos da área da saúde entre 1962 e 1971.

No documento, a instituição assume o compromisso de realizar ações de reparação simbólica, além de fortalecer as iniciativas já existentes.

Em vídeo nas redes sociais o vice-reitor da Universidade Telmo Ronzani destacou a motivação para escolha do dia 18 de maio, Dia da Luta Antimanicomial, para a divulgação da carta.

"A UFJF escolheu simbolicamente esse dia. A Universidade se adiantou nesse processo, já fez o contato com o ministério público e os movimentos sociais para que a gente marcasse essa história, uma história do triste do país, para conscientizar toda a população em defesa dos direitos humanos e das pessoas com sofrimento mental, para que a gente diminua a estigmatização relacionada a essas pessoas", destacou.

Apelo para retratação histórica

A iniciativa também atende um apelo de movimentos sociais mineiros da Luta Antimanicomial sobre essas medidas de reparação histórica. Pelo menos 15 instituições de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo fizeram uso dos cadáveres, para fins de ensino e pesquisa.  

A UFMG foi a primeira instituição a se manifestar, fato que ocorreu no mês de abril. 

Conforme a carta da UFJF estão previstas medidas como a realização de campanhas de conscientização e de eventos sobre direitos humanos e saúde mental, a busca de apoio para a criação de um memorial sobre o tema, a condução de pesquisas sobre os registros das relações entre a UFJF e o Hospital Colônia de Barbacena.

Além da ampliação, nos cursos da área da saúde, de conteúdos relacionados à violação histórica de direitos humanos, à saúde mental e ao uso de corpos oriundos do hospital mineiro e de instituições semelhantes.

Os 14 sobreviventes do Hospital Colônia em Barbacena que ainda moram no terreno onde funcionava o manicômio, começarão a ser realocados a partir da próxima segunda-feira (25).

De acordo com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), eles, que são todos idosos, moram em residências construídas no território e serão transferidos para um sítio, uma espécie de casa de acolhimento, na zona rural de Barbacena.

Segundo a Fhemig, os 14 sobreviventes foram levados para o Colônia há décadas, a maioria sem ter diagnóstico de transtorno psiquiátrico. A fundação contou que alguns deles chegaram lá ainda crianças. Conforme o Governo de Minas, os ex-internos não têm familiares, não falam e “vivem em condições bem específicas de saúde”. 

Atualmente, eles são assistidos pelo Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHBP), localizado no mesmo território onde vivem. Segundo o Governo de Minas, o centro é focado em tratamento humanizado.

Na mesma área, também fica o Museu da Loucura. De acordo com a Fhemig, ambos continuarão funcionando. Já o Hospital Colônia começou a ser desativado na década de 80. 

*Escrita por Michel Santos sob supervisão de Roberta Oliveira

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Graduando em jornalismo pela UFJF, Michel Santos é estagiário da Itatiaia em Juiz de Fora. Apaixonado por esportes, videogames e fã aficcionado de automobilismo.