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Campeã olímpica de vôlei surpreende e revela real motivo de corte em Londres 2012

Mari do Vôlei expôs que recusa ao Fenerbahce, à época comandado por Zé Roberto, culminou na ausência dos Jogos Olímpicos

Mari do Vôlei em entrevista ao Basticast

Mari do Vôlei, campeã olímpica em Pequim 2008, concedeu entrevista ao podcast Basticast publicado nesta quinta-feira (8) e fez uma revelação bombástica sobre o real motivo do corte dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

A ex-jogadora contou que foi cortada do grupo após recusar acerto com o Fenerbahçe - à época comandado por José Roberto Guimarães, também técnico da Seleção. Naquela edição da Olimpíada, o Brasil conquistou a medalha de ouro no vôlei feminino.

Mari contou que optou por seguir no Rexona/Unilever, atual Sesc Flamengo, sob o comando de Bernardinho após período de reflexão.

Naquele ano (2011), eu tinha machucado o joelho, e estava jogando no Rexona Unilever. Eu joguei, praticamente, só a semifinal e a final. O Bernardo (Bernardinho) falou assim: ‘Eu acho justo você ficar mais um ano aqui, e jogar o ano inteiro.’ Até porque eu recebi o ano inteiro. Eu falei que achava justo também. Nessa mesma época, o Zé (Roberto) estava indo para o Fenerbahçe, aí ele falou: ‘Eu quero que você vá para o Fenerbahçe, porque eu quero te treinar, ano que vem já é Olimpíada.’ Aí eu fiquei assim: ‘E agora, o que eu farei da minha vida?’ Fiquei nesse impasse”, começou Mari.

“Pensando na minha vida pessoal também, tinham coisas que eu não queria deixar para ir para lá, e tinha essa questão do Bernardo que eu achava justa. E tinha o Zé que também era justa, que queria que eu fosse para poder me treinar. Pensando em tudo isso, decidi ficar mais um ano no Rio. Eu acho que vai ser bom para mim, e também eu vou estar treinando com o Bernardo, elas por elas de treino, tudo certo, e o Zé não gostou disso”, disse.

Adiante, a ex-jogadora detalhou o momento em que recebeu ligação de Zé Roberto após a recusa ao Fenerbahçe.

“Eu lembro que estava na Croácia de moto, estava com uma amiga minha na garupa, a Danizinha que é prova disso. Parei a moto para atender e era o Zé. Quando acabou a conversa, ele falou assim: ‘Se você vai ter as suas preferências, na Seleção, eu vou ter as minhas também”, detalhou.

Na sequência, Mari disse ter ficado com uma impressão ruim da conversa e apontou que o contato entre ambos na Seleção foi afetado.

“Eu senti com um tom muito de ameaça. Foi muito ruim ouvir aquilo. Ou ele vai fazer alguma coisa, ou ele está fazendo uma pressão para eu poder ir para o Fenerbahçe com ele. Mas não, quando chegou na Seleção, ele não falava comigo. Era aquele bom dia seco, não falava muito. Ele falava assim: ‘Você tá fazendo o que aí na ponta, vai lá atacar na saída, vai lá fazer o aquecimento na saída.’ Ele já me trocou de posição, já foi uma “sacanagem” ali”, afirmou a campeã olímpica.

“Ele poderia ter feito isso, mas não dessa forma. Ele também não tem o melhor relacionamento do mundo com o Bernardo, então o Zé Roberto realmente não gostou que eu escolhi ficar com o Bernardo. Mas foi uma questão minha pessoal que ele não entendeu, e levou para o lado pessoal também”, finalizou.

Dia do corte

À frente, Mari contou como foi a conversa, que culminou no corte da Seleção, com Zé Roberto Guimarães. A ex-ponteira revelou que o treinador justificou “falta de confiança” como motivo para a retirada da atleta do grupo.

“No dia do corte, eu estava voltando da lavanderia. Ele me chamou e falou: ‘então, temos um problema, vamos ter que nos separar, porque eu não confio em você.’ Aí eu falei: ‘Tá bom, vou pegar minhas coisas, posso ir embora?’. Ele respondeu que pode e foi assim. Curto, grosso, rápido”, revelou.

“Eu entrei no quarto e falei que tinha sido cortada, ia arrumar minhas coisas para ir embora. Aí as meninas começaram a ligar umas para as outras para avisar. Todo mundo veio chorando me abraçar, pegou todo mundo de surpresa. As meninas levaram a minha camisa, todo pódio que subia, eu tava lá junto”, contou Mari.

Ciclo olímpico e impacto do corte da Seleção na carreira

Mari também avaliou como foi aquele período olímpico para ela e expôs que chegou a conversar com Zé Roberto Guimarães após o episódio polêmico.

“Foi um ciclo bem difícil, tiveram lesões, foi bem difícil readaptar. Foi um ciclo bem bagunçado para mim. Eu achei que foi muito injusta a forma que foi. O Zé poderia ter decidido que eu não fosse para a Olimpíada, não era esse o problema, mas como foi o corte. Eu nunca falei, até porque eu quero ser invisível (brincadeira referente a qual super poder gostaria de ter), mas chegou o momento que dá para falar, até porque eu já conversei com ele depois, a gente se encontrou, tá tudo perdoado, mas naquele momento ali, ele errou muito feio comigo”, iniciou.

“Porque não foi um corte justo como ele falou: ‘ah, a Mari vai ser cortada porque ela está com problema técnico.’ Que problema técnico, gente? Eu era uma das jogadoras mais técnicas que ele tinha, como ele vai dar uma desculpa dessa?”, continuou Mari.

A ex-atleta destacou que o corte teve impacto negativo no decorrer da carreira e lamentou a marca que o fato deixou.

“O que acarretou na minha carreira depois disso, foi muito ruim. Eu tive prejuízo financeiro, os times começaram a usar isso contra o meu contrato. Como é que você vai fazer 100% do seu contrato, se o técnico da Seleção falou que você está com problema técnico? Obviamente que o time vai querer pagar menos”, destacou a ex-atleta.

“Não conseguia mais fechar os contratos que eu fechava antes, me prejudicou em várias áreas. Isso já está perdoado, já passou, mas acho que vale falar de fato o que aconteceu, porque até hoje todo mundo acha que eu fui cortada por um problema técnico”, encerrou.

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Mari pela Seleção

Mari participou do grupo brasileiro que conquistou a medalha de ouro no vôlei feminino nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Além disso, a ex-ponteira e oposta conquistou o Pan-Americano de 2011 e o bicampeonato sul-americano, em 2009 e 2011.

Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA. Acumula passagens pela Web Rádio Neves FM e Portal Esporte News Mundo, como setorista do América, além de possuir experiência em coberturas in-loco e podcast. Apaixonado por automobilismo e esportes americanos.

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