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Quadra popular no Barreiro mostra que o tênis é para todos e mobiliza comunidade

Quadra de saibro no bairro Pilar envolve moradores e pessoas de outras regiões de Belo Horizonte

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Quadra pública de tênis no Barreiro, em BH, atrai pessoas de todas as idades • Laura Scardua/Itatiaia

Entre duas ruas movimentadas no bairro Pilar, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte, uma quadra chama a atenção. Pela cor, o tamanho e a rede baixa bem no centro ela destoa dos espaços comuns de serem vistos na região. No lugar do gramado de futebol, é o alaranjado da quadra de tênis que une as pessoas. O espaço, totalmente gratuito e mantido por moradores, deixa uma mensagem clara: o tênis é para todos.

O saibro do Pilar mancha de laranja o sapato das idades mais variadas, das crianças que fazem aula por meio de um projeto social aos idosos que jogam nas manhãs dos fins de semana. E não só moradores do bairro usam a quadra, pessoas de toda a capital mineira, e até da Grande BH, vão até o Barreiro para jogar. 

O espaço localizado na Praça Amadeo Lorenzato, próximo ao bairro Olhos D’água, nem sempre foi assim. Claudius Tenório, engenheiro de formação, professor de tênis e antigo adotante da praça, conta que antes ela era de futebol, com terra batida. Foi a partir de 2010 que o espaço foi transformado para tênis, mas ainda era de um tamanho menor. 

Antes e depois da quadra• Google Street View/Laura Scardua
Antes e depois da quadra• Google Street View/Laura Scardua

Em 2025, a quadra foi ampliada para os tamanhos oficiais. Atualmente, o local fica aberto para o público e é ocupado praticamente o dia inteiro.

“É muito legal ver essa essa integração, acabar com essa história de que o tênis é só para elite, só para quem tem dinheiro. Aqui é todo mundo”, afirmou Claudius Tenório, à Itatiaia. Ele também é fundador da Dynamis Social, uma Organização da Sociedade Civil (OSC) que, entre as ações, tem aulas da modalidade para crianças e adolescentes. 

Claudius Tenório, engenheiro de formação e antigo adotante da Praça Amadeo Lorenzato, é fundador da Dynamis • Laura Scardua/Itatiaia
Claudius Tenório, engenheiro de formação e antigo adotante da Praça Amadeo Lorenzato, é fundador da Dynamis • Laura Scardua/Itatiaia

Claudius e Dynamis são os principais responsáveis por fazer a quadra ficar movimentada. Durante o dia, a organização leva turmas de crianças e adolescentes dos bairros Olhos D’água, Pilar e Vila São João para jogar. No entanto, não é só por meio dos pequenos atletas que o tênis é praticado. Moradores, ex-colaboradores e professores do projeto jogam e até criam campeonatos, com direito a ranking dos melhores em quadra. 

Jogadores

Entre os amantes do tênis que ficam no espaço até depois do anoitecer está Júlio César Lima Santos, mecânico de 33 anos. Ele contou à reportagem que começou a trabalhar na Dynamis como catador de bolinhas aos 12 anos, época em que também passou a jogar pelo projeto. “Muita gente que estava longe do tênis veio por causa da quadra”, afirmou. Para ele, o espaço traz um bem-estar para a comunidade. 

A quadra também atrai moradores de outras regiões. Karolline Gama, de 24 anos, mora em Contagem, na Grande BH, trabalha como professora de tênis no bairro Belvedere, na Região Centro-Sul da capital, e vai até a quadra jogar. E a jovem joga para valer. Karoline é a primeira colocada do ranking da quadra do Barreiro, além de ser a única mulher na lista. 

Ela contou que conheceu a quadra por meio da irmã gêmea, que soube do espaço no trabalho. Juntas, ela decidiram tentar jogar no bairro Pilar porque haviam sido proibidas de participar em outros rankings de BH. Segundo ela, as outras jogadoras diziam que as gêmeas estavam em um nível muito acima e tinham uma “batida muito forte”. No espaço no Barreiro, Karolline e Gabrielle foram bem recebidas. 

Karoline é a primeira colocada do ranking da quadra do Barreiro, além de ser a única mulher na lista • Arquivo pessoal
Karoline é a primeira colocada do ranking da quadra do Barreiro, além de ser a única mulher na lista • Arquivo pessoal

No entanto, a jovem contou que a quadra ainda é predominantemente ocupada por homens. “Me deixa chateada que não tem muitas mulheres”, disse. Karolline relatou que fez um levantamento na região para entender o porquê de as mulheres jogarem menos e descobriu que elas ficam receosas por só ter homens em quadra. A jovem contou que ela e a irmã querem mudar o cenário. 

Paulo Araújo, autônomo de 42 anos, também joga na quadra. Ele destacou a importância que o esporte tem para as crianças, especialmente em um contexto fora das regiões nobres da cidade.

“Ter uma quadra pública assim é bom demais, ainda mais agora com o João Fonseca jogando bem e ganhando, isso incentiva os meninos cada vez mais a ter orgulho”, disse. O tenista referenciado, de apenas de 19 anos, chegou às quartas de final de Roland Garros. Apesar de não ter passado para a semifinal, o jogador fez história ao se tornar o brasileiro mais jovem a alcançar as quartas de final de um torneio de Grand Slam, superando o recorde de Gustavo Kuerten, o Guga - que chegou aos 20 anos, em 1997.

 

Cuidados

A quadra no bairro Pilar é totalmente mantida por moradores. A própria população é a responsável por molhar o saibro três vezes ao dia, “passar o vassourão” e manter a quadra bem cuidada.

Claudius contou que até colocou um cabo de aço de elevador na rede para ela não envergar, porque as crianças estavam se pendurando. Na lateral da rede, pedras e placas de granito ajudam a sustentá-la. Paulo Araújo acredita que a quadra precisa de investimentos públicos para ficar ainda melhor. 

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que “o espaço é monitorado pelas equipes responsáveis e possíveis intervenções são avaliadas conforme a necessidade identificada em vistorias técnicas.” Além disso, o Executivo municipal informou que, em março deste ano, foram concluídos os serviços de manutenção da área esportiva localizada na Praça Amadeo Lorenzato.

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Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

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