Escolher o horário certo para se exercitar potencializa benefícios para a saúde geral
Pesquisas indicam que adaptar o treino ao relógio biológico ajuda o coração, favorece o ganho muscular e melhora a qualidade do descanso

O horário em que você se exercita pode fazer diferença real nos resultados para a saúde. Um novo conjunto de estudos indica que alinhar a atividade física ao chamado cronotipo, que define se a pessoa rende mais de manhã ou à noite, potencializa benefícios como a prevenção de doenças cardíacas, controle da glicose e melhora do sono.
De acordo com pesquisas citadas pelo The Times, respeitar o ritmo natural do corpo ajuda a reduzir fatores de risco importantes, como pressão alta e colesterol LDL elevado. A recomendação dos especialistas é: em vez de seguir um horário padrão, o ideal é treinar no momento em que o organismo funciona melhor.
O médico Arsalan Tariq explica que o segredo está em sincronizar o exercício com o ritmo circadiano, o ciclo biológico que regula sono, energia e metabolismo ao longo do dia. "Quando a atividade física acompanha esse ritmo, os resultados tendem a ser mais eficazes e sustentáveis", destaca.
A importância do horário
Estudos conduzidos pela Universidade de Lahore (Paquistão), pela Universidade de Massachusetts (EUA) e pelo King’s College (Inglaterra) mostram que ajustar o treino ao cronotipo melhora o sono e reduz o risco de doenças cardiovasculares.
Uma análise apresentada no American College of Cardiology, com mais de 14 mil participantes, revelou que praticar exercícios em sintonia com o relógio biológico pode diminuir em até 31% o risco de doenças coronárias.
Especialistas alertam que forçar treinos em horários que não combinam com o corpo pode gerar mais estresse e reduzir os benefícios. Por isso, observar sinais como cansaço excessivo ou dificuldade para dormir é fundamental.
Para quem prefere as manhãs
Pessoas com perfil matutino, conhecidas como “alondras”, tendem a obter melhores resultados ao se exercitar entre 7h e 8h da manhã. Segundo Prem Patel, esse grupo apresenta menor risco de desenvolver diabetes tipo 2 e doenças cardíacas quando mantém treinos nesse período.
Mesmo horários entre 8h e 11h ainda são positivos, mas a primeira hora após acordar concentra os maiores ganhos. A prática matinal também está associada a menor probabilidade de obstrução das artérias.
Uma estratégia complementar é incluir exercícios de força no fim do dia, como agachamentos ou elevações. Um estudo publicado na BMJ Open Sport & Exercise Medicine indica que esse tipo de combinação pode melhorar a qualidade do sono, com média superior a sete horas por noite.
Perfil noturno
Já quem tem cronotipo vespertino, os chamados “corujas”, costuma apresentar melhor desempenho físico no fim do dia. O pesquisador Jeffrey Kelu recomenda treinar entre 18h e 21h, quando fatores como temperatura corporal e níveis hormonais favorecem o ganho muscular.
Testes de força, como supino, agachamento e exercícios de pegada, tendem a ter melhores resultados nesse horário. Ainda assim, especialistas sugerem incluir uma caminhada leve pela manhã, para ajudar a regular o relógio biológico com a luz natural.
Evitar o uso de telas antes de dormir também é importante, já que isso pode prejudicar o descanso.
Tipo de exercício importa
Além do horário, o tipo de exercício também influencia os resultados. Pesquisas reunidas pela revista Journal of Ayurveda and Integrative Medicine apontam que praticar yoga de três a quatro vezes por semana melhora de forma consistente a duração e a qualidade do sono.
A prática pode ser adaptada ao cronotipo: sessões matinais funcionam melhor para quem acorda cedo, enquanto exercícios noturnos são mais indicados para quem tem mais energia à noite.
Como descobrir seu melhor horário
Identificar o próprio cronotipo é essencial para aproveitar esses benefícios. Uma das ferramentas utilizadas por pesquisadores é o questionário de matutinidade e vespertinidade, que ajuda a entender a preferência natural do corpo.
Uma forma simples de perceber isso no dia a dia é observar como você se comporta em períodos de descanso, como férias. Se acordar cedo continua sendo difícil, há maior tendência ao perfil noturno.
Especialistas recomendam testar diferentes horários de treino e ajustar a rotina conforme a resposta do corpo. Evitar extremos e respeitar sinais de fadiga são atitudes que ajudam a manter uma prática regular e saudável.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



