Vôlei masculino: Bernardinho defende 'medalhões' do Brasil após eliminação em Paris
Treinador explicou os “privilégios” dados aos jogadores mais experientes, mas admitiu necessidade de renovação com eliminação para os EUA

Após a eliminação para os Estados Unidos, pelas quartas de final da Olimpíada, Bernardinho saiu em defesa dos “medalhões” da Seleção Brasileira nesta sexta-feira (5), em Paris. Depois do jogo, o treinador comentou sobre as críticas feitas pela imprensa e pela torcida em relação a alguns atletas, como o levantador Bruninho, o central Flávio e o líbero Thales.
Em entrevista à Itatiaia, Bernardinho analisou a dificuldade de oportunizar alguns jovens do elenco, como o ponteiro Lukas Bergmann. O oposto Darlan também foi citado pelo técnico, ainda que tenha tido mais chances na capital francesa. A explicação é o risco de “queimá-los”.
“Quantas vezes acertaram o Adriano no saque? É um time muito experiente. Então, você vai colocar o Bergmann e queimá-lo? Ele entrou, fez o que tinha que fazer, mas, calma. É hora dos veteranos segurarem a responsabilidade. É duro sair agora, a gente queria demais uma semifinal. Mas o equilíbrio é enorme. Vocês viram hoje, a Itália é campeã mundial e quase ficou fora. A França, no Rio, era favorita e ficou em nono lugar. Se a gente acaba em nono lugar, seríamos execrados”, disparou.
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Dor para a 'construção' do ouro
Segundo Bernardinho, apesar da dor da eliminação, esses momentos difíceis são essenciais para a “construção” do ouro olímpico.
“Os Estados Unidos ganharam da gente, mas, em Tóquio, terminaram em décimo com a base que está aqui [em Paris]. Precisamos entender que o equilíbrio existe, não é desculpa. Temos que saber como ter resultados com esse equilíbrio, como ser mais consistentes. Está faltando consistência, que requer tempo, estar na quadra, repetir. Viver esse tipo de situação aqui várias e várias vezes. Quantos Jogos Olímpicos alguns desses rapazes jogaram? O Darlan… nenhum”, completou.
O treinador lamentou, ainda, a ausência de Alan na segunda rodada da fase de grupos, contra a Polônia, e a oscilação de Darlan em certos momentos na Olimpíada.
“Um rapaz de energia, a plasticidade dele jogando é interessante. É natural que as pessoas se entusiasmem, mas, calma. Os números do Alan estavam melhores. E o povo fala: ‘Ah, que absurdo, tirar o Alan’. Eu não tinha ele contra a Polônia. O Darlan não foi bem contra a Polônia. Se eu tivesse o Alan, poderíamos ter opção. É o que é. Como fazer o melhor com que a gente tem?”, disse.
Renovação do elenco
Por fim, embora tenha defendido os “medalhões” em Paris, Bernardinho admitiu que a Seleção precisa de uma renovação. No entanto, o processo não pode ser radical.
“É muito importante essa renovação, não é revolução. Que alguns veteranos, como o Lucarelli, o Flávio, possam continuar para ser os líderes desse novo ciclo. Isso é muito importante. E criar peças, espaço para que outros jovens possam surgir, e vão surgir. Tem muita gente no mundo inteiro, o equilíbrio vai continuar”, encerrou.
Campanha decepcionante do Brasil
Após ter se classificado como terceiro de sua chave, com duas derrotas e uma vitória, o Brasil caiu nas quartas de final. Superado pelos norte-americanos, o time de Bernardinho sacou mal e teve que correr atrás no placar durante quase toda a partida. As parciais foram 24/26, 30/28, 19/25 e 19/25.
Leonardo Garcia Gimenez é repórter multimídia na Itatiaia. Natural de Arcos-MG e criado em Iguatama-MG. Passou também pela Record Minas.
João Vitor Cirilo é âncora e repórter. Jornalista na Itatiaia desde 2019, apresenta o programa Turma do Bate Bola e ancora as Jornadas Esportivas. Cobre futebol e também o esporte olímpico, no podcast Todo Esporte.




