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Corinthians: os próximos passos após expulsão de Augusto Melo

Ex-presidente foi julgado pela invasão à sala da presidência no Parque São Jorge em 31 de maio de 2025

Por, São Paulo (SP)
Parque São Jorge, sede social do Corinthians
Parque São Jorge, sede social do Corinthians • Iúri Medeiros/Itatiaia

Na última segunda-feira (1º), a ampla maioria dos conselheiros do Corinthians votou pela expulsão do ex-presidente Augusto Melo do quadro de sócios do clube por conta da invasão à sala da Presidência, em maio de 2025.

A Itatiaia separou abaixo os próximos passos e os possíveis desdobramentos da decisão tomada pelo Conselho Deliberativo, órgão presidido atualmente por Leonardo Pantaleão.

Caso encerrado?

Assim como Andrés Sanchez, Augusto e sua defesa optaram por judicializar a votação no Conselho. Antes mesmo do encontro no Parque São Jorge, representantes de Melo ingressaram com uma ação na Justiça para anular o ato administrativo.

Ricardo Jorge, ex-diretor administrativo do Corinthians e advogado de Augusto Melo, entende que houve uma série de irregularidades na votação do Conselho Deliberativo.

"Vai para a Justiça. Acho injusto. Você não consegue aferir qual foi a conduta dele nesse sentido. Não foi produzida prova. É complicado", disse Ricardo à imprensa.

"Tem um regulamento que eles utilizam para conduzir o processo administrativo e que, estatutariamente, não foi criado. Não tem legitimidade. Aí surge uma série de aberrações jurídicas, no sentido amplo, constitucional e cidadão", completou.

A defesa de Augusto entende que houve irregularidades na convocação da reunião do Conselho Deliberativo, ausência de intimação para julgamento, falta de ata e de comunicação do resultado, desmembramento irregular do processo, ausência de acusação formal e de individualização da conduta, cerceamento de defesa, quebra da imparcialidade e conflito de interesses, incompetência da Comissão de Ética, nulidade do voto do relator, inexistência de infração disciplinar e desproporcionalidade da penalidade.

"Toda vez que há divergência de entendimento, a parte que se sente prejudicada tem total direito de questionar isso na esfera judicial. Não temos como controlar ou questionar essa decisão. É um direito deles. Se entenderem que podem judicializar, essa é uma possibilidade", afirmou Pantaleão.

Outros julgamentos

Maria Angela Ocampos (primeira-secretária do Conselho Deliberativo), Mario Mello Junior (integrante da Comissão de Ética), Paulo Juricic (ex-integrante da Comissão de Ética) e Ronaldo Fernandez Tomé (integrante da Comissão de Ética) também teriam suas expulsões votadas nesta segunda-feira (1º), mas Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo, suspendeu a reunião.

Maria Angela alegou problemas familiares e solicitou o adiamento, pedido que foi acatado após manifestação dos conselheiros. A votação será retomada na próxima segunda-feira (8).

Pantaleão reconhece que dificilmente o Conselho Deliberativo conseguirá votar todos os casos na próxima segunda-feira (8) e não descarta a necessidade de convocar novas reuniões em outras datas.

Também em razão da invasão ocorrida em maio de 2025, outros conselheiros aguardam votação de punições. Kadu Melo, Rodrigo Simonini Gonzalez e Wanderson Salles podem ser suspensos por seis meses.

Já Marcos Coelho Abdo e Paulo Rogério Pinheiro Junior podem ser suspensos por três meses, enquanto Laercio Ferreira Victoria, Leandro Olmedila e Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos correm o risco de receber advertência.

"A conselheira Maria Angela relatou uma situação pessoal, e o plenário decidiu, por maioria, adiar o julgamento dela para a próxima semana. O conselheiro que seria julgado na sequência se opôs a que seu julgamento ocorresse antes do dela. Por isso, optamos pela suspensão", comentou Pantaleão.

Lembrando que, além das votações que definirão o futuro dos conselheiros envolvidos, está marcada para o dia 20 (sábado), no Parque São Jorge, a Assembleia Geral que votará a reforma do estatuto do clube.

"Se for necessário alterar ou designar novas datas, vamos fazê-lo. Em relação à Assembleia (marcada para o dia 20), não há como alterá-la. Mas, mesmo que seja depois da Assembleia, retomaremos essa pauta para concluir esses julgamentos, que precisam ser finalizados", completou.

Entenda o caso

No dia 31 de maio de 2025, Augusto Melo tentou retomar o comando do Corinthians em um episódio que foi interpretado por muitos como uma tentativa de golpe. Aliados do ex-presidente invadiram a sala da presidência no Parque São Jorge e tentaram afastar Osmar Stabile, então presidente interino do clube.

Na mesma ocasião, Maria Angela Ocampos se declarou presidente do Conselho Deliberativo, cargo que era ocupado por Romeu Tuma Júnior.

A conselheira se baseou em um pedido da Comissão de Ética do clube, protocolado naquele mês, que solicitava o afastamento de Romeu Tuma Júnior do comando do Conselho. Com isso, ela argumentava que assumiria a presidência do órgão, já que o primeiro vice-presidente, Roberson de Medeiros, estava em licença médica.

Tanto Romeu Tuma Júnior quanto Osmar Stabile não reconheceram o ato e o classificaram como ilegítimo.

Em junho de 2025, a Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo e o Cori (Conselho de Orientação) divulgaram uma carta aberta reforçando que não viam respaldo estatutário para as medidas adotadas por Augusto Melo e Maria Angela Ocampos. No documento, os órgãos afirmaram que a Comissão de Ética é subordinada ao Conselho Deliberativo e que, em nenhum momento, Romeu Tuma Júnior foi notificado sobre eventual afastamento do cargo.

No mesmo dia da invasão ao Parque São Jorge, o Dr. Leonardo Pantaleão, que prestava assessoria jurídica à gestão interina naquele período, registrou boletim de ocorrência por constrangimento ilegal, cárcere privado, ameaça, injúria e tumulto.

Em 9 de agosto de 2025, os sócios confirmaram o afastamento definitivo de Augusto Melo da presidência do Corinthians.

Ao todo, 1.413 associados votaram a favor da destituição, enquanto 620 se posicionaram contra. Também foram registrados dois votos em branco e dois nulos.

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Iúri Medeiros é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Passou pela Gazeta Esportiva, onde estagiou e posteriormente cobriu o dia a dia do Corinthians. Além do noticiário do Timão, participou da cobertura de jogos de Palmeiras, Santos e São Paulo, além de eventos na capital paulista, como a São Silvestre. Na Itatiaia, acompanha Corinthians e Santos.

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