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Augusto Melo é expulso do quadro de sócios do Corinthians

Ex-presidente foi julgado pela invasão à sala da presidência no Parque São Jorge em 31 de maio de 2025

Por, São Paulo (SP)
Augusto Melo, ex-presidente do Corinthians
Augusto Melo, ex-presidente do Corinthians • Fernando Moreno/AGIF/Gazeta Press

Augusto Melo, ex-presidente do Corinthians, foi expulso do quadro de sócios do clube nesta segunda-feira (1º). A decisão foi tomada pelos conselheiros, que se reuniram no Parque São Jorge para deliberar sobre o tema por meio de votação.

Ao todo, 147 conselheiros votaram a favor da expulsão de Augusto, enquanto cinco se posicionaram contra. O encontro registrou quatro abstenções.

Maria Angela Ocampos (primeira-secretária do Conselho Deliberativo), Mario Mello Junior (integrante da Comissão de Ética), Paulo Juricic (ex-integrante da Comissão de Ética) e Ronaldo Fernandez Tomé (integrante da Comissão de Ética) também teriam suas expulsões votadas nesta segunda (1º), mas Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo, suspendeu a reunião.

Maria Angela alegou problemas familiares e solicitou o adiamento. A votação será retomada na próxima segunda-feira (8).

Todos são julgados pela invasão ao andar da presidência do clube em 31 de maio de 2025. Na ocasião, Maria Angela Ocampos se declarou presidente do Conselho Deliberativo e determinou o retorno de Augusto Melo à presidência da diretoria, anulando o afastamento imposto pelo órgão.

Protesto da torcida

Do lado de fora do Parque São Jorge, torcedores comuns e organizados do Corinthians protestaram contra Augusto Melo e entoaram cânticos favoráveis à expulsão do ex-presidente.

A Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians, se mobilizou nos últimos dias para convocar corintianos a acompanhar a votação do lado de fora do clube social e mandar um recado aos conselheiros.

Entenda o caso

No dia 31 de maio de 2025, Augusto Melo tentou retomar o comando do Corinthians em um episódio que foi interpretado por muitos como uma tentativa de golpe. Aliados do ex-presidente invadiram a sala da presidência no Parque São Jorge e tentaram afastar Osmar Stabile, então presidente interino do clube.

Na mesma ocasião, Maria Angela Ocampos se declarou presidente do Conselho Deliberativo, cargo que era ocupado por Romeu Tuma Júnior.

A conselheira se baseou em um pedido da Comissão de Ética do clube, protocolado naquele mês, que solicitava o afastamento de Romeu Tuma Júnior do comando do Conselho. Com isso, ela argumentava que assumiria a presidência do órgão, já que o primeiro vice-presidente, Roberson de Medeiros, estava em licença médica.

Tanto Romeu Tuma Júnior quanto Osmar Stabile não reconheceram o ato e o classificaram como ilegítimo.

Em junho de 2025, a Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo e o Cori (Conselho de Orientação) divulgaram uma carta aberta reforçando que não viam respaldo estatutário para as medidas adotadas por Augusto Melo e Maria Angela Ocampos. No documento, os órgãos afirmaram que a Comissão de Ética é subordinada ao Conselho Deliberativo e que, em nenhum momento, Romeu Tuma Júnior foi notificado sobre eventual afastamento do cargo.

No mesmo dia da invasão ao Parque São Jorge, o Dr. Leonardo Pantaleão, que prestava assessoria jurídica à gestão interina naquele período, registrou boletim de ocorrência por constrangimento ilegal, cárcere privado, ameaça, injúria e tumulto.

Em 9 de agosto de 2025, os sócios confirmaram o afastamento definitivo de Augusto Melo da presidência do Corinthians.

Ao todo, 1.413 associados votaram a favor da destituição, enquanto 620 se posicionaram contra. Também foram registrados dois votos em branco e dois nulos.

Além de perder o cargo, Augusto ficou inelegível por 10 anos.

Motivo do impeachment

O principal fundamento do processo de impeachment foi o caso VaideBet. Augusto Melo, assim como ex-dirigentes do clube, tornou-se réu por associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro.

Os defensores do impeachment argumentaram que o então presidente foi omisso diante das denúncias internas e das reportagens sobre a atuação do suposto intermediário do contrato com a VaideBet, Alex Cassundé.

Augusto Melo no Corinthians

Augusto Melo presidiu o Corinthians entre janeiro de 2024 e maio de 2025. Sua gestão ficou marcada, entre outros fatores, pelo alto número de contratações: ao todo, o clube fechou com 21 jogadores durante o período.

Sob sua administração, a dívida do Corinthians passou de R$ 1,9 bilhão para R$ 2,5 bilhões.

Dentro de campo, o principal resultado foi a conquista do Campeonato Paulista de 2025 sobre o Palmeiras. Em 2024, a equipe passou boa parte do Campeonato Brasileiro lutando contra o rebaixamento, mas reagiu na reta final e garantiu vaga na Libertadores.

Na competição continental, o Corinthians foi eliminado pelo Barcelona-EQU na terceira fase.

Durante a gestão de Augusto Melo, o clube teve quatro treinadores: Mano Menezes, António Oliveira, Ramón Díaz e Dorival Júnior.

Por

Iúri Medeiros é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Passou pela Gazeta Esportiva, onde estagiou e posteriormente cobriu o dia a dia do Corinthians. Além do noticiário do Timão, participou da cobertura de jogos de Palmeiras, Santos e São Paulo, além de eventos na capital paulista, como a São Silvestre. Na Itatiaia, acompanha Corinthians e Santos.

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