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Siderúrgica volta ao futebol profissional após quase uma década; saiba detalhes

Filho de campeão mineiro pelo clube, Maycon Amaro Romão lidera projeto que começou nas categorias de base

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Time do Siderúrgica campeão do Campeonato Mineiro de 1964
Time do Siderúrgica campeão do Campeonato Mineiro de 1964 • Rprodução/Facebook/ Esporte Clube Siderúrgica ECS

O Esporte Clube Siderúrgica, de Sabará, voltará ao cenário profissional do futebol mineiro em 2026. Fundado em 31 de maio de 1930, o tradicional clube carrega dois títulos do Campeonato Mineiro, conquistados em 1937 e 1964. No retorno às competições profissionais, a equipe disputará o Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, organizado pela Federação Mineira de Futebol (FMF), e integrará o Grupo B, ao lado de Araxá, Betim, Funorte, Paracatu e São João del-Rei.

O retorno ocorre após quase uma década longe do futebol profissional. O Siderúrgica iniciou uma reconstrução há cerca de quatro anos, com foco nas categorias de base, mas precisou antecipar os planos para o futebol profissional após ser alertado pela FMF sobre a necessidade de disputar uma competição oficial para manter o registro.

O projeto é liderado por Maycon Amaro Romão, filho do ex-zagueiro Alfeu, campeão mineiro pelo Siderúrgica em 1964. A ideia inicial, segundo o dirigente, não era recolocar o time profissional em campo de forma imediata. O primeiro objetivo era reconstruir as categorias de base e, aos poucos, criar condições para o retorno do clube.

“A ideia nossa, de princípio, seria as categorias de base. A gente começou com sub-15 e sub-17”, explicou Maycon.

O primeiro desafio apareceu antes mesmo de a bola rolar. Ao analisar a situação documental e financeira do Siderúrgica, a diretoria encontrou uma série de pendências. Segundo Maycon, o clube tinha cerca de R$ 92 mil em débitos que precisavam de regularização para disputar competições da FMF.

“Nós tínhamos uma dívida de R$ 92 mil para resolver para poder disputar a competição”, contou.

Sem grandes investidores, a solução veio de uma série de ações para arrecadar recursos. A diretoria promoveu rifas, eventos, buscou patrocinadores e contou com o apoio de familiares de atletas e parceiros. O processo levou quase quatro anos.

“Fomos dividindo aí, foi pagando aos poucos, vendendo camisa, fazendo eventos, pedindo patrocínio. E foi regularizando”, afirmou.

A estrutura inicial veio de uma parceria com o Esporte Clube Santa Helena, de Contagem. Os treinos das categorias de base passaram a ocorrer na cidade, enquanto os jogos foram realizados em Sabará.

A parceria também permitiu a contratação de profissionais de educação física para atuar no projeto. Os funcionários eram contratados pelo Santa Helena e também trabalhavam nas atividades relacionadas ao Siderúrgica.

O projeto cresceu aos poucos. Depois do sub-15 e do sub-17, o clube ampliou a estrutura para outras categorias e chegou ao sub-20. Hoje, o Siderúrgica conta com cinco categorias em funcionamento.

A manutenção, no entanto, ainda depende de uma rede de apoiadores. Segundo Maycon, não há atualmente um investidor ou patrocinador master responsável por bancar o projeto. Os pais dos atletas também ajudam com contribuições.

Um dos apoiadores citados pelo dirigente é Maycon Roger, presidente do Itabirito e proprietário da SAF do clube. Segundo o dirigente do Siderúrgica, ele contribuiu com o projeto desde o período de maior dificuldade.

“No momento que o Siderúrgica precisou, a gente ligou para ele e, na hora, ele falou: ‘Vamos apoiar o Siderúrgica’”, relatou.

Siderúrgica regularizado

Ao longo do processo, a diretoria também precisou resolver pendências com a FMF e questões trabalhistas. Entre os problemas estavam multas por W.O., atrasos, cartões vermelhos e outras obrigações do clube.

A diretoria também negociou débitos relacionados ao FGTS e ações trabalhistas. Para viabilizar os pagamentos, parte das movimentações financeiras passou pelo Santa Helena, já que o Siderúrgica não tinha uma conta bancária própria para realizar as operações.

“Hoje nós zeramos o CNPJ do Siderúrgica, no sentido de estar legal. Agora o clube está todo legal, todo regular, tudo funcionando. Não tem dívida nenhuma, não tem dívida de trabalhador, não tem nada. Hoje nós estamos no zero a zero”, afirmou Maycon.

Retorno antecipado

O planejamento inicial previa um trabalho mais estruturado antes da volta do time profissional. O cenário mudou após um alerta da FMF. Segundo Maycon, o clube precisava disputar uma competição profissional para não perder o registro e deixar de ser considerado um clube profissional.

“Dentro de 10 anos o clube tem que disputar uma competição profissional. É uma regra da Federação. O pessoal nos ligou o ano passado e nos alertou sobre isso”, explicou.

Com a exigência, o Siderúrgica precisou antecipar o retorno. “Então, caiu no nosso colo o profissional para este ano. Não era a ideia neste momento. Está praticamente sendo uma imposição, porque, se a gente não disputar, a gente perde o registro”, disse.

A diretoria conta com empresários na busca por atletas sub-23. A expectativa é trazer cerca de 12 jogadores para completar o elenco, enquanto os demais nomes devem sair do sub-20.

O dirigente reconhece que o primeiro time profissional desta nova fase não terá o mesmo investimento de clubes mais estruturados, mas vê a temporada como uma etapa necessária para a reconstrução.

“Esse ano o time vai ser bem modesto. Sem grande investimento, que a gente realmente hoje não tem”, afirmou.

Retorno do Siderúrgica

O retorno do Siderúrgica também passa pela retomada da relação do clube com Sabará. A Prefeitura procurou a diretoria para que os jogos voltassem a ocorrer na cidade, e o clube firmou uma parceria com a Secretaria Municipal de Esportes para a recuperação do Estádio Eli Seabra Filho (Praia do Ó).

Como não há recursos públicos destinados à reforma, segundo Maycon, o próprio Siderúrgica assumiu parte dos custos.

“Nós fizemos com recurso próprio. Estamos olhando, organizando o piso. O campo está parado há mais de 90 dias para receber o profissional. Mexemos na parte de pintura dos vestiários e na reestruturação do estádio”, contou.

Um clube de 96 anos

O clube foi fundado em 1930 e conquistou dois títulos estaduais, em 1937 e 1964. A taça de 1964 marcou o último Campeonato Mineiro antes da inauguração do Mineirão e transformou o Siderúrgica no último campeão estadual de fora de Belo Horizonte até o início dos anos 2000.

O clube também foi o primeiro representante mineiro a disputar uma partida interestadual no Mineirão, pela Taça Brasil de 1965.

Após perder o apoio financeiro da Belgo-Mineira, o Siderúrgica encerrou o futebol profissional em 1967. Desde então, teve algumas tentativas de retorno às competições profissionais, mas não conseguiu se firmar no cenário estadual.

Para Maycon, a reconstrução atual tem como principal objetivo impedir que essa história desapareça. “Um clube de 96 anos não pode sumir do mapa”, afirmou.

A ligação familiar tornou a missão ainda mais especial. “Eu, por ser filho desse campeão e ter crescido ouvindo as histórias, não pude deixar que o clube sumisse ou ficasse só como escolinha de futebol”, disse.

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Jornalista em formação pelo UniBH, com passagem por Diário do Comércio e Secretaria de Estado do Governo de Minas. Experiência em jornalismo econômico e esportivo, área pela qual é apaixonada.

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