‘Me taxavam de louco’: ídolo do Cruzeiro relembra dificuldades no início da carreira
Primeiro convidado do quadro 'Vestindo Histórias', ex-volante precisou abrir mão de momentos da infância e da família para se tornar profissional

Ídolo do Cruzeiro, Fabrício "Guerreiro" relembrou os primeiros passos da carreira e as dificuldades enfrentadas antes de se tornar jogador profissional. Aos 44 anos, o ex-volante revelou que precisou abrir mão de momentos importantes da infância e da convivência com a família para perseguir o sonho de viver do futebol.
Em participação no quadro Vestindo Histórias, do Itatiaia Esporte, Fabrício contou que, desde criança, chamava atenção pela dedicação e intensidade nos treinamentos. Foi esse comportamento que o ajudou a chegar ao União São João de Araras, seu primeiro clube.
"Quando tem que ser, parece que é o destino. Como a maioria dos meninos, eu sempre quis ser jogador de futebol. Eu sempre fui muito dedicado, desde menino eu percebi que quanto mais eu corria mais me destacava. Desde menino, o pessoal já me taxava como louco, maluco, porque eu acordava seis horas da manhã para correr antes de ir para a escola", contou o ídolo celeste.
Na sequência, Fabrício relembrou a primeira oportunidade em um clube de maior expressão e explicou como acabou sendo levado para o interior paulista.
"Com 15 anos eu fui para Tubarão para fazer um peneirão no Internacional de Porto Alegre. Fiquei uma semana lá e fui embora. O treinador ligou e perguntou: 'o menino lá não vai voltar mais não?'. A grande arma do jogador é o campo. Se você joga, aparece, sempre alguém vai te ver. E assim me levaram, com 15 anos, para o interior de São Paulo", acrescentou.
Dificuldades que moldaram o "Guerreiro"
A mudança para o interior de São Paulo marcou o início da trajetória de Fabrício no futebol profissional, mas também trouxe uma série de desafios. O ex-volante lembrou da saudade da família, das dificuldades financeiras e das condições precárias dos alojamentos onde viveu.
Apesar dos obstáculos, o ex-jogador acredita que esse período foi fundamental para sua formação dentro e fora de campo.
"Eu cheguei lá com 15, 16 anos, e muitas dificuldades. Primeiro que você fica longe da família, eu visitava eles uma vez por ano. Segundo, era 60 reais por mês de ajuda de custo. Quando eu recebia, já estava devendo o cachorro-quente da praça. Eu tinha só duas bermudas, minha esposa zoa de mim até hoje", relembrou.
Em outro trecho da entrevista, Fabrício descreveu a rotina no alojamento e contou como lidava com as dificuldades do dia a dia.
"Foram momentos de muita dificuldade, solidão, mas foram coisas que me transformaram. Ali tudo me incentivava: as dificuldades, ficar sozinho, comer o que tinha no alojamento. Eu dormia embaixo da arquibancada. Muitas vezes molhava o lençol para conseguir dormir por causa do calor. Foram vários perrengues", afirmou.
Por fim, o ex-volante contou que os fins de semana eram os momentos mais difíceis, quando a maioria dos companheiros voltava para casa. Porém, voltou a frisar que as dificuldades foram importantes para seu amadurecimento.
"No fim de semana todo mundo ia para casa e ficava eu e mais uns cinco no alojamento. Domingo era o pior dia, era dia de lavar roupa. À tarde eu ia no canavial, pegava um facão e cortava umas canas para passar o dia. Mas tudo isso me fortalecia. Chegava na segunda-feira pensando: 'não vou deixar ninguém pegar meu espaço" - concluiu.
Fabrício
Fabrício, de 44 anos, atuou profissionalmente entre 2000 e 2015. Ele soma passagens por União São João, Corinthians, Júbilo Iwata-JAP, Cruzeiro, São Paulo, Vasco e Joinville, além de Seleções Brasileiras de base.
O ex-meio-campista defendeu o Cruzeiro de 2008 a 2011 e se identificou rapidamente com o torcedor, sendo capitão em alguns momentos. Foram 154 jogos do “Guerreiro”, com dez gols, sendo dois de falta. Ele conquistou o Campeonato Mineiro três vezes (2008, 2009 e 2011) na Toca da Raposa.
Vestindo Histórias
O Vestindo Histórias é um projeto digital da Itatiaia. Trata-se de um programa que revisita a carreira de personalidades do esporte por meio das camisas que usaram ao longo dos anos.
Fabrício Sousa foi o primeiro convidado do programa, exibido na íntegra no YouTube da Itatiaia e fragmentado em cortes pelas redes sociais e também no YouTube.
Mineiro, Daniel Costa é jornalista formado pela Universidade FUMEC (BH). Apaixonado por esporte e comunicação, atuou como cronista e repórter esportivo em veículos como Doentes Por Futebol, Deus me Dibre, Esporte News Mundo e Brasileirão. Hoje, colabora com o Itatiaia Esporte.



