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Cruzeiro segue como uma torcida que tem um time, mas a China Azul precisa de ajuda

Clássico contra o América escancara briga contra o rebaixamento, e está na hora de diretoria, comissão técnica e jogadores entenderem isso

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Coluna Alexandre Simões
Coluna Alexandre Simões • Itatiaia

A agressão de Fernando Henrique. Paulo Vitor pedindo calma a Rafael Cabral numa saída de bola em que um contra-ataque poderia ser armado numa partida em que o empate foi quase derrota. Mateus Vital mais uma vez deixando a impressão de que não queria estar ali. Nikão perdido entre os três zagueiros americanos, por um equívoco do treinador Zé Ricardo.

São lances que ilustram bem o Cruzeiro no empate por 1 a 1 com o América, neste domingo (1), no Mineirão, numa partida em que antes de a bola rolar, a igualdade era derrota para os celestes, mas que após o apito final de Leandro Pedro Vuaden, o ponto conquistado foi lucro, pois o rival, que é vice-lanterna da Série A, foi melhor em campo.

A impressão que o time do Cruzeiro passa é de estar desconectado com a realidade. E essa desconexão começa pela direção, passa pela comissão técnica, chega no grupo de jogadores e entra em campo.

Me recordo do diretor de futebol Pedro Martins, num encontro com jornalistas da remodelada Toca II, que a maior dificuldade da SAF quando chegou ao clube, no início do ano passado, foi implantar o pensamento de que o Cruzeiro era um clube de Série B e precisava encarar a competição, que ia disputar pelo terceiro ano seguido, com essa realidade, que era dura, mas real.

Me parece que neste momento a briga contra o rebaixamento ainda não virou uma verdade absoluta dentro do clube. Essa é a impressão que passam ações da diretoria, da comissão técnica e de jogadores.

Em todo o processo, parece que apenas o torcedor sabe da gravidade da situação. E fez a sua parte. Foram 45 mil pessoas no Mineirão numa tarde de muita chuva em Belo Horizonte.

No ano passado, o Cruzeiro na Série B era uma torcida que tinha um time. E ela empurrou o clube de volta à Primeira Divisão. Mas aquela balela de que a Raposa “voltou para o lugar de nunca deveria ter saído” não entra em campo.

O Brasileirão é duro. Muito difícil. A briga contra o rebaixamento é cruel. E o Cruzeiro faz parte dela. Que essa realidade seja encarada por todos no clube, não apenas pelo torcedor, que segue sendo o que há de melhor pelos lados cruzeirenses.

O Cruzeiro na Série A ainda é uma torcida que tem um time. Mas ela sozinha não consegue tudo. Está na hora de diretoria, comissão técnica e jogadores começarem a ajudar, pois a impressão que tenho até agora é de que do muro da Toca II para dentro a convicção é de que a Raposa está neste Brasileirão vivendo uma situação bem diferente do que mostra a realidade. E ela é dura.

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro