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Credor aponta irregularidades em Recuperação Judicial de time do interior de Minas

Tupi passa por grave crise financeira e processo pode ser paralisado

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Tupi passa por grave crise financeira e situação fiscal complicada • Divulgação

Uma auditoria realizada por uma credora do Tupi apontou irregularidades no processo de Recuperação Judicial (RJ) do clube.

A RJ foi aprovada nessa terça-feira (10), mas uma das credoras do clube de Juiz de Fora aponta indícios de fraude no processo. O Tupi vive processo de transformação de gestão. O objetivo é virar Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para reestruturar o clube.

Segundo consta na petição, a empresa ACTS foi procurada pelo Tupi em 2019 buscando recursos para participar do Campeonato Mineiro daquele ano. Uma das garantias de pagamento foi o estádio Salles de Oliveira, em Juiz de Fora. A garantia não pôde ser exercida em função de dívidas trabalhistas.

"O estádio foi dado ao mesmo tempo como garantia da dívida de 2019, foi colocado na RJ como o bem que vai garantir os credores e, ao mesmo tempo, vai ser passado para a SAF", diz Marcello de Melo, um dos advogados envolvidos na denúncia contra o clube de Juiz de Fora

Na RJ, o estádio é listado como "ferramenta indispensável para viabilizar a reestruturação financeira". O imóvel é avaliado em cerca de R$ 15 milhões.

Um outro imóvel foi usado numa negociação para construção de um Centro de Treinamento. Na negociação desse imóvel, o Tupi recebeu um prédio com salas comerciais. As salas comerciais foram repassadas para pessoas ligadas ao clube por valores "insignificantes".

"Nós apontamos isso tudo, pedimos para a juíza tomar providências, para ela (juíza) parar a Recuperação Judicial de imediato, apurar esses fatos graves, inclusive com a participação do Ministério Público, e só depois ela avaliar se a Recuperação Judicial deve prosseguir ou não", explica o advogado.

Esvaziamento de patrimônio

A auditoria ainda apontou que há indícios de esvaziamento de patrimônio "comprometendo a solvência do clube e prejudicando diretamente os credores". Em documentos anexados, há alienação de imóveis para ex-dirigentes, funcionários e pessoas ligadas ao clube.

Duas salas comerciais foram alienadas para Myrian Carneiro Fortuna Fregulglia e Leonardo Fortuna Freguglia, presidente e vice-presidentes do clube em 2020. O valor declarado foi de R$ 200 mil.

Outras quatro salas foram alienadas para o advogado Flávio Tavares por meio da sociedade de advogados. O advogado é ligado ao Tupi. Os balanços financeiros apontam que Flávio deve R$ 700 mil.

"Essas pessoas tiveram um ganho de quase o dobro do valor pelo qual elas receberam essa sala com a valorização do mercado imobiliário", diz Marcello de Melo. "Essas pessoas estão listadas lá como devedores do Tupi ou seja o Tupi passando por dificuldade financeira", completou.

Cláudio Ferreira da Silva é outro nome que aparece como devedor do Tupi nos balanços financeiros desde 2021. O valor do débito segundo os documentos é de R$ 934.710,80. O clube alienou oito salas comerciais para Cláudio e a dívida não foi abatida.

"Todos esses fatores indicam, no mínimo, evidentes conflitos de interesses e, mais precisamente, estratégias de esvaziamento patrimonial, prejudicando os credores do Tupi", afirma o documento.

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Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.

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