Duelo entre Felipão e Luxemburgo escancara a nossa crise de técnicos
Scolari e Luxemburgo ganharam várias títulos nos anos 1990 e viraram objeto de desejo de clubes e da Seleção Brasileira

O duelo entre Luiz Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo neste sábado (8), às 18h30, no Mineirão, na partida entre Atlético e Corinthians, pela 14ª rodada da Série A, me faz recordar do que aconteceu há 25 anos, logo após o vice-campeonato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da França. E essa recordação, além do tamanho dos dois treinadores que estarão em ação no Gigante da Pampulha, escancara como os nossos professores perderam espaço e importância principalmente na última década.
Zagallo foi o comandante do Brasil no Mundial e saiu após a Copa do Mundo. A lista de candidatos a substituto tinha justamente por Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari.
Luxemburgo acabou ficando com o cargo num arranjo igual ao feito agora para Fernando Diniz, pois seguiu comandando o Corinthians. Scolari tinha chegado ao Palmeiras num projeto de conquista da Libertadores, o que acabou acontecendo no ano seguinte.
Os dois tinham conquistado vários títulos importantes naquela década, com Scolari levando vantagem, pois ganhou a Copa do Brasil em 1991, 1994 e 1998, o Brasileirão em 1996 e a Copa Libertadores em 1995. Luxemburgo tinha vencido a Série A em 1993 e 1994.
Naquela temporada de 1998, eles venceram as principais competições nacionais, com Felipão garantindo ao Palmeiras sua primeira Copa do Brasil e Luxemburgo ganhando o tri do Brasileirão comandando o Corinthians.
Interessante que era o ciclo entre as Copas de 1998 e 2002 e se ele começou com Luxemburgo, terminou com Felipão. Entre os dois, Emerson Leão, que fez grande sucesso no futebol brasileiro a partir da segunda metade da década de 1990, também comandou o time canarinho, isso após Scolari recusar, pois foi chamado para o cargo em 2000, quando Vanderlei Luxemburgo foi demitido, mas tinha acabado de chegar ao Cruzeiro e não abandonou o projeto.
Felipão foi o comandante do time pentacampeão mundial e em três copas, de 1994 a 2002, o Brasil venceu duas e foi vice-campeão na outra.
Claro que a qualidade dos jogadores não pode ser deixada de lado, mas o trabalho dos treinadores também não. Agora, as duas coisas são carências no futebol brasileiro. E isso é prova de que os “velhinhos” Felipão e Luxemburgo merecem todo o respeito.
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
