Enderson Moreira pede paralisação do futebol após violência na Vila Belmiro e São Januário: 'Estamos sendo escorraçados'
Treinador do Sport, ex-Santos, fez um pronunciamento em que sugeriu a paralisação do futebol para medidas contra violência

Tricampeão da Série B e com passagens por clubes tradicionais do futebol brasileiro, o técnico Enderson Moreira fez um pronunciamento ao fim da entrevista coletiva na noite desta quinta-feira (22), na Ilha do Retiro, no Recife. Apontando as cenas de violência no jogo entre Santos e Corinthians, na Vila Belmiro, e depois ciente do ocorrido no jogo entre Vasco e Goiás, no estádio São Januário, o treinador com passagens por clubes como o próprio Santos, além de Cruzeiro, Grêmio e Botafogo, entre outros, pediu mobilização da classe e paralisação do futebol para repensar o momento vivido.
Na última quarta-feira (21), no jogo entre Santos e Corinthians, a torcida santista atirou objetos explosivos dentro de campo e fizeram o árbitro Leandro Pedro Vuaden encerrar o duelo antes do esperado. No Rio de Janeiro, no dia seguinte, o jogo ficou marcado por um verdadeiro cenário de guerra, com bombas e invasão a campo em razão da derrota vascaína em casa para o Goiás.
"O que tem acontecido está muito perto de ter uma tragédia futebol. Um tempo atrás foi o Danilo Fernandes que recebeu uma bomba no ônibus do Bahia. Já passei algumas situações complicadas no aeroporto, em CT e precisamos tomar providências urgente. Queria eu ser cara representativo no futebol para chamar a atenção, infelizmente não tenho talvez esse peso, mas acho que a gente precisa tomar uma providência muito urgente", começou por dizer Enderson Moreira.
A declaração veio após a vitória do Sport diante do Juventude, numa noite de quinta-feira tranquila na Ilha do Retiro, mas em que, paralelamente, outro caso de violência decorria em São Januário. Alertado, Enderson subiu o tom.
"Estou falando isso porque eu posso ser a próxima vítima, vocês [imprensa], jogadores, ninguém está livre de acontecer isso. Estamos sendo escorraçados. O pessoal tem invadido CT. Não sei como o jogador tem condições de entrar em campo depois de uma pressão dessa. A situação que fica depois isso é de um inconformismo absurdo, todos ficam mexidos, magoados, a gente não perde porque quer, a gente se esforça para vencer, tenta fazer melhor. Mas às vezes as coisas não acontecem, futebol é difícil. E a gente trata com normalidade, não dá o destaque que é precisa dar, a gente precisa parar [o futebol] se for o caso. Os atletas, as comissões técnicas, a gente não pode mais aceitar isso, vai acontecer uma tragédia", alertou o técnico do Sport.
Punição ao agressor
Outro ponto tocado por Enderson Moreira foi o direcionamento das punições no futebol brasileiro. Para ele, a Justiça falha em direcionar toda a carga para os clubes, quando muitas vezes, na visão do treinador, a culpa maior está em quem comete a infração.
"Há muito mais providência contra os clubes do que contra as pessoas que praticam o ato. Isso pune muito torcedor que não tem nada a ver com isso. Agora, as pessoas que praticam o ato vejo poucos irem para a cadeia. Vai punindo clube e não pune quem tem que ser punido, a pessoa que executa. Tem que atacar quem invade, quem quebra, ameaça e a gente não faz nada. E não é só no Brasil", lamentou.
Jornalista, natural do Recife, é atualmente correspondente do portal Itatiaia Esporte na região Nordeste. Com mais de uma década de experiência no jornalismo esportivo, tem passagens pela Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco, Superesportes e NE45. Em Portugal, trabalhou por O Jogo e Sport Magazine.
