Imprensa argentina critica eliminações de Boca e River no Mundial de Clubes: 'Papelão'
Imprensa da Argentina repercutiu de forma negativa as quedas precoces dos dois maiores clubes do país; vexame diante de rivais levantou dúvidas sobre o nível do futebol local

A eliminação de Boca Juniors e River Plate ainda na fase de grupos do Mundial de Clubes da Fifa gerou duras críticas na imprensa argentina. Os principais veículos do país classificaram as campanhas como decepcionantes e vexatórias, apontando falhas dentro e fora de campo e ressaltando o contraste com o desempenho das equipes brasileiras, todas classificadas para o mata-mata da competição.
O TyC Sports foi direto ao classificar o desempenho dos clubes como um “fracasso”. Sobre o River, o jornal destacou a derrota por 2 a 0 para a Inter de Milão como 'um fim sem atenuantes'. Já sobre o Boca, o termo usado foi 'papelão', após empate com o semiprofissional Auckland City, time da Nova Zelândia que teve como herói um jogador que também trabalha como professor.
No Olé, o tom também foi de frustração e cobrança. O jornal relembrou a alta expectativa em torno de Cavani, que disputou apenas um jogo por conta de lesão e 'não esteve à altura do que a equipe precisava dele'. O Boca Juniors não venceu nenhuma partida de seu grupo, que também tinha Benfica-POR, Bayern de Munique-ALE e Auckland City-NZL.
O veículo também destacou a estrutura fragilizada do elenco do River, que mesmo com investimento de mais de 50 milhões de dólares, acabou eliminado precocemente em uma chave na qual havia chances reais de classificação. O River Plate foi o terceiro colocado da chave, atrás de Inter de Milão-ITA e Monterrey-MEX, mas a frente do Urawa Red Diamonds-JAP.
Disparidade de nível?
Ainda segundo o Olé, a sensação é de que os dois clubes 'perderam mais do que partidas', expondo a distância entre o nível que se esperava das equipes e o que realmente foi apresentado. O jornal ainda apontou que Boca e River deixaram muito a desejar em campo, mesmo com o apoio massivo de suas torcidas nos Estados Unidos.
Além disso, criticou o desempenho disciplinar: dos dez cartões vermelhos da fase de grupos, cinco foram para jogadores argentinos.
Comparação com equipes brasileiras
O Clarín também seguiu a linha de reprovação. O diário afirmou que os clubes 'não souberam ou não puderam representar o país como se esperava' e que, apesar de Argentina ainda brilhar por suas individualidades (como Messi, Di María, Otamendi e Lautaro), seus principais times 'foram grandes apenas por suas torcidas'.
O jornal lamentou a ausência de clubes argentinos nas oitavas de final e apontou o contraste com os quatro brasileiros classificados – Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo – que avançaram com autoridade e colocaram o Brasil como referência sul-americana no torneio.
Para o veículo, o Mundial foi a prova de que a liga argentina está vários degraus abaixo da elite mundial. A publicação ainda questiona se a estrutura atual do campeonato local, com 30 clubes, não estaria nivelando por baixo o futebol nacional, criando 'uma falsa sensação de competitividade' que não resiste ao confronto internacional.
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta dos e-sports



