A história do futebol africano na Copa do Mundo começou a ser escrita em 1934, na Itália, com um nome que atravessou gerações: Abdelrahman Fawzy. Atacante da seleção do Egito, ele foi o primeiro jogador africano a marcar gols em uma Copa do Mundo, inaugurando a presença do continente no maior torneio do planeta.
O feito aconteceu na estreia egípcia no Mundial, contra a Hungria, em 27 de maio de 1934, na cidade de Nápoles. Apesar da derrota por 4 a 2, Fawzy marcou os dois gols do Egito na partida, tornando-se não apenas o primeiro africano a balançar as redes em Copas, mas também o autor dos primeiros gols da África na história da competição.
Quem foi Abdelrahman Fawzy
Nascido no Egito, Abdelrahman Fawzy foi um dos grandes nomes do futebol egípcio nas décadas de 1920 e 1930. Ele construiu sua carreira atuando principalmente por clubes locais, em um período em que o futebol ainda dava seus primeiros passos rumo à profissionalização fora da Europa.
Pela Seleção Egípcia, Fawzy integrou a equipe que disputou a Copa do Mundo de 1934, tornando-se símbolo pioneiro do futebol africano no cenário internacional. Seus dois gols contra a Hungria não apenas marcaram a estreia africana nas redes em Copas, como também ajudaram a quebrar barreiras simbólicas em um esporte dominado, até então, por europeus e sul-americanos.
Após encerrar a carreira como jogador, Fawzy seguiu ligado ao futebol egípcio, atuando como treinador e contribuindo para a formação de novas gerações. Ele faleceu em 1988, mas permanece lembrado como um personagem fundamental da história das Copas do Mundo.
Egito na Copa do Mundo de 1934
O Egito entrou para a história ao se tornar o primeiro país africano a disputar uma Copa do Mundo, quebrando a barreira continental em uma época em que o futebol global ainda dava seus primeiros passos. O feito histórico foi alcançado na segunda edição do Mundial, em 1934, na Itália.
Naquela época, o Mundial ainda contava com um processo de eliminação direto nas fases classificatórias e poucas seleções africanas participavam. O Egito garantiu sua vaga após superar a Palestina - então colônia britânica - nas eliminatórias, vencendo por 7 a 1 no Cairo e 4 a 1 em Jerusalém, com amplo domínio agregado de 11 a 2.
Na Itália, o formato da competição era de mata-mata desde as oitavas de final, e os egípcios fizeram sua estreia em uma decisão que entrou para os livros de história. No dia 27 de maio de 1934, o Egito enfrentou a Hungria em Nápoles, em um jogo que terminou 4 a 2 a favor dos europeus. Apesar da eliminação, o atacante Abdelrahman Fawzy deixou seu nome na história ao marcar dois gols, tornando-se o primeiro jogador africano a balançar as redes em uma Copa do Mundo.
A participação do Egito em 1934 foi um marco não apenas para o país, mas para todo o continente africano, abrindo caminho para que outras nações africanas alcançassem o palco mundial nas décadas seguintes.
Após sua estreia na Copa, a África só voltaria a ter representação em 1970, com a classificação de Marrocos, depois de um longo hiato sem equipes africanas no torneio. O próprio Egito só voltou a disputar um Mundial em 1990, 56 anos depois.
Copa do Mundo de 1934
A Copa do Mundo de 1934, realizada na Itália, foi a segunda edição do torneio e a primeira a contar com um processo de eliminatórias para definir os participantes. Ao todo, 16 seleções disputaram o Mundial, entre elas Itália, Tchecoslováquia, Alemanha, Espanha, Áustria, Hungria, Brasil e o Egito. O formato da competição foi totalmente em mata-mata, sem fase de grupos.
O torneio terminou com o título da Itália, anfitriã da competição, que confirmou o favoritismo ao longo da campanha. A final foi disputada em 10 de junho de 1934, no Estádio Nacional do Partido Fascista, em Roma, diante de um grande público. Em um jogo equilibrado e tenso, Itália e Tchecoslováquia empataram em 1 a 1 no tempo normal, com gol tcheco de Antonín Puč e empate italiano marcado por Raimundo Orsi.
Na prorrogação, o atacante Angelo Schiavio marcou o gol decisivo que garantiu a vitória por 2 a 1 e o primeiro título mundial da Itália. A conquista consolidou os italianos como uma nova potência do futebol internacional e marcou o início de uma era vitoriosa, que seria confirmada com o bicampeonato na Copa de 1938.