Walt Disney construiu ferrovia de 800 metros no quintal de casa antes do famoso parque
Construção da Carolwood Pacific Railroad começou em 1950, quando Disney decidiu levar para o quintal de casa sua antiga paixão por locomotivas

Muito antes de transformar a Disney em um dos maiores impérios do entretenimento do mundo, Walt Disney tinha um hobby peculiar: trens. Na década de 1950, o empresário e cineasta construiu uma ferrovia em miniatura no quintal da casa onde vivia com a família, em Holmby Hills, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Batizada de Carolwood Pacific Railroad, a ferrovia particular tinha cerca de 800 metros de extensão e percorria 2.615 pés (aproximadamente 797 metros) ao redor da propriedade. O trajeto contava com uma treliça de 46 pés (14 metros) e um túnel de 90 pés (27 metros), que passava por baixo de uma área próxima ao canteiro de flores da esposa de Disney.
Ao lado dos trilhos, havia ainda um pequeno celeiro que funcionava como uma espécie de central de operações. Era ali que Disney controlava os interruptores da ferrovia, trabalhava na manutenção dos trens e recebia amigos. O espaço também servia como um refúgio das atividades cada vez mais intensas nos estúdios.
Ferrovia foi construída em 1950
A construção da Carolwood Pacific Railroad começou em 1950, quando Disney decidiu levar para o quintal de casa sua antiga paixão por locomotivas. O nome da ferrovia fazia referência à Carolwood Drive, rua onde ficava a residência da família.
Segundo a Carolwood Foundation, o primeiro trem percorreu os trilhos em 7 de maio de 1950. A estrutura foi planejada para ser uma ferrovia de verdade em escala reduzida, com locomotiva, trilhos, interruptores e diferentes elementos de uma linha ferroviária convencional.
Disney acompanhava de perto o funcionamento do sistema. A partir do pequeno celeiro, conseguia monitorar o trajeto e controlar remotamente os interruptores. O local também era usado para reparar e trabalhar nos trens.
A ferrovia se tornou uma das formas encontradas por Disney para se dedicar a uma paixão pessoal longe da rotina dos estúdios. O empresário chegou a compartilhar o hobby com amigos, que também frequentavam o celeiro.
Celeiro quase foi demolido
A residência da família Disney foi posteriormente vendida e a propriedade passou por mudanças. O pequeno celeiro, porém, continuou no terreno por algum tempo, mesmo depois que a ferrovia deixou de existir.
A situação mudou quando os novos proprietários identificaram problemas nas estruturas da propriedade, incluindo questões estruturais e a presença de amianto. Com a decisão de demolir os antigos edifícios para dar lugar a uma nova residência, o celeiro também corria o risco de desaparecer.
Foi então que Diane Disney Miller, filha de Walt Disney, decidiu buscar uma maneira de preservar a construção. Antes da conclusão da venda, ela entrou em contato com Michael e Sharon Broggie, fundadores da Carolwood Society e estudiosos da história da ferrovia construída por Disney.
A solução encontrada foi desmontar cuidadosamente o celeiro e transferi-lo para outro local. O empreiteiro Bill Abel ficou responsável pela desmontagem, e as peças foram armazenadas até que fosse definido um novo destino para a estrutura.
Construção foi transferida para o Griffith Park
Depois de negociações envolvendo a cidade de Los Angeles e o Los Angeles Live Steamers Museum, o antigo celeiro ganhou uma nova casa no Griffith Park.
A construção foi remontada no local e permanece preservada como uma lembrança da ferrovia particular de Walt Disney. O espaço pode ser visitado no terceiro domingo de cada mês, das 11h às 15h. A entrada e o estacionamento são gratuitos, e o museu aceita doações.
A Carolwood Pacific Railroad, por sua vez, desapareceu do antigo quintal de Disney. Os trilhos, o túnel e a treliça deixaram de fazer parte da paisagem da propriedade, mas o pequeno celeiro sobreviveu.
Décadas depois, a construção permanece como um dos vestígios físicos de uma faceta menos conhecida de Walt Disney: a paixão por ferrovias que, anos mais tarde, também ajudaria a inspirar elementos dos parques temáticos criados por ele.
André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.



