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Transplante de sobrancelha vira tendência após Boca Rosa mostrar resultado

Procedimento pode melhorar falhas e cicatrizes, mas exige avaliação médica rigorosa e resultado final pode levar até dois anos

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boca rosa
Influencer Boca Rosa mostra resultado de transplante de sobrancelha • Instagram/Reprodução

A influenciadora e empresária Bianca Andrade, conhecida como Boca Rosa, chamou atenção ao revelar que passou por um transplante de sobrancelhas. Em vídeo nas redes sociais, ela mostrou o crescimento dos fios após o procedimento e contou que já voltou ao designer. O caso despertou curiosidade e também levantou dúvidas sobre como a técnica funciona, os riscos e em quais situações ela realmente é indicada.

Segundo dermatologistas ouvidos pelo G1, o transplante de sobrancelha é uma cirurgia que utiliza fios do próprio paciente, geralmente retirados do couro cabeludo, para preencher falhas. Apesar de parecer simples, o procedimento exige alta precisão técnica, já que qualquer erro na direção ou curvatura dos fios pode comprometer o resultado estético.

Quando o transplante é indicado

A técnica costuma ser recomendada principalmente para quem apresenta perda definitiva de pelos ou falhas estáveis. Entre os casos mais comuns estão:

  • Excesso de depilação ao longo dos anos;
  • Cicatrizes e queimaduras;
  • Traumas na região;
  • Rarefação permanente dos fios;
  • Alguns tipos de alopecia, desde que controlados.

Também pode ser uma opção para pessoas insatisfeitas com o formato natural das sobrancelhas. Ainda assim, especialistas reforçam que é essencial investigar a causa da queda antes de partir para a cirurgia, já que existem alternativas clínicas em muitos casos.

Situações em que o procedimento não é recomendado

Nem todo paciente é um bom candidato. O transplante pode falhar ou nem ser indicado quando há:

  • Doenças inflamatórias ou autoimunes ativas;
  • Infecções ou inflamações na região;
  • Alopecias instáveis;
  • Transtornos como tricotilomania sem controle;
  • Pouca área doadora de fios.

De acordo com especialistas, a escolha inadequada do paciente é uma das principais causas de frustração com o resultado.

Como é feita a cirurgia

O procedimento é realizado com anestesia local e sedação leve. Os folículos são retirados individualmente e implantados um a um na sobrancelha, respeitando o desenho natural, a angulação e a direção dos fios.

A técnica mais utilizada atualmente é a FUE, também comum em transplantes capilares. A etapa de implantação é considerada a mais delicada, pois os fios precisam ficar muito próximos da pele e seguir uma orientação específica para parecerem naturais.

Principais riscos

Além dos riscos cirúrgicos gerais, como inchaço, dor, infecção e formação de crostas, o maior desafio do transplante de sobrancelha costuma ser estético. Entre os problemas mais relatados estão:

  • Assimetria entre os lados;
  • Baixa densidade de fios;
  • Aparência artificial;
  • Fios implantados na direção errada.

Outro ponto importante é que pode haver falha na fixação dos enxertos, exigindo uma nova intervenção.

Resultado não é imediato

Um dos pontos que mais surpreendem pacientes é o tempo de evolução. Após o transplante, é comum que os fios caiam nas primeiras semanas. Isso faz parte do processo natural.

Os primeiros sinais de crescimento costumam aparecer entre 6 e 12 semanas, mas o resultado mais consistente pode levar de 6 meses a 1 ano. Em alguns casos, a avaliação final só acontece após até dois anos.

Como os fios vêm do couro cabeludo, eles continuam crescendo como cabelo. Por isso, é comum precisar aparar e modelar as sobrancelhas com frequência.

Tendência

O interesse pelo procedimento aumentou nos últimos anos. Dados mostram que as sobrancelhas se tornaram a principal área fora do couro cabeludo em cirurgias capilares femininas.

Especialistas apontam que a mudança no padrão de beleza ajudou a impulsionar essa busca. Se antes o ideal eram sobrancelhas finas, hoje a preferência é por fios mais cheios, naturais e bem definidos.

Alternativas

Antes da cirurgia, médicos recomendam tentar tratamentos clínicos, principalmente quando ainda há folículos ativos. Entre as opções estão:

medicamentos tópicos como minoxidil e bimatoprosta
infiltrações com corticosteroides em alguns casos
tratamentos orais ou intradérmicos

Outra alternativa é a micropigmentação, indicada para quem busca melhorar o desenho ou a simetria sem passar por cirurgia. No entanto, ela não substitui os fios naturais, apenas cria um efeito visual.

O que observar antes de fazer

Especialistas alertam para sinais de risco antes mesmo da cirurgia, como promessas de resultados perfeitos, falta de explicação sobre riscos e clínicas que não contam com médicos qualificados.

Após o procedimento, sintomas como dor intensa, secreção, febre ou vermelhidão progressiva devem ser avaliados imediatamente.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.