Palácio das Artes, em BH, recebe mostra itinerante da 35ª Bienal de São Paulo
Seleção de 123 obras pode ser visitada de 21 de junho a 15 de setembro

Belo Horizonte é uma das 14 cidades do mundo a receber obras da 35ª Bienal de São Paulo – coreografias do impossível. A partir de sexta-feira (21), quem visitar o Palácio das Artes pode apreciar 123 obras selecionadas, criadas por mais de 20 artistas, que estiveram na Bienal e que, conforme os curadores, de alguma forma dialogam com a capital mineira. A entrada é gratuita e aberta ao público (confira horários e a classificação indicativa abaixo).
Entre as peças estão trabalhos de artistas mulheres, artes visuais do povo Tukano, cinema ianomami e afromineiridades. A curadoria é de Diane Lima, Grada Kilomba, Hélio Menezes e Manuel Borja-Villel.
Na ocupação, os visitantes se deparam com criações de Ahlam Shibli, Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami; Amos Gitaï; Anna Boghiguian; Dayanita Singh; Eustáquio Neves; Gabriel Gentil Tukano; Geraldine Javier; Katherine Dunham; Luana Vitra; Luiz de Abreu; Maya Deren; Min Tanaka e François Pain; Morzaniel Ɨramari; Ricardo Aleixo; Rommulo Vieira Conceição; Rosa Gauditano; Rosana Paulino; Sammy Baloji; Sonia Gomes; e Zumví Arquivo Afro Fotográfico.
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A exposição é adaptada para a fruição de pessoas com deficiência, incluindo audioguia e vídeos com interpretação em Libras, textos e identidade visual em fonte ampliada e Braille, mapa tátil na expografia e interação com utilização de luvas durante as visitas mediadas.
Afromineiridades para o mundo
Mineira de Caeté, Sonia Gomes é uma das artistas que tratam do protagonismo feminino e reafirmam a vivência afro. Reconhecida internacionalmente por esculturas de grandes dimensões feitas com tecido, Gomes convida o espectador a se deslocar por suas criações como em uma dança. Já o fotógrafo Eustáquio Neves, nascido em Juatuba, na Grande BH, e morador de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, desenvolve uma linguagem marcada pela manipulação de negativos e cópias de imagens. Sua obra aborda a identidade e memória da população negra, a partir de contextos tão diversos como aqueles vividos por comunidades remanescentes de quilombos em Contagem e no Vale do Jequitinhonha durante as festividades em celebração a Nossa Senhora do Rosário.
Luana Vitra, de Contagem, trabalha com itens como ferro, cobre, prata e pó de anil, construindo elementos como pássaros e setas, para discutir o contexto extrativista e os traumas do passado escravista da região de Ouro Preto, onde sua família mora. “O fato de ter crescido em Minas Gerais e ter um modo de ser com esse território influencia em muitos aspectos o meu trabalho. Um deles provém da vivência do sincretismo, das procissões e dos reinados. Minhas obras têm muito forte a presença de repetições, a repetição é uma maneira de mover um milagre", enfatiza a artista.
Exposição itinerante da 35ª Bienal de São Paulo em Belo Horizonte
Local: Palácio das Artes (Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, Galerias Arlinda Corrêa Lima, Genesco Murta e Mari’Stella Tristão e Hall de Entrada)
Horário: De terça-feira a sábado, das 9h30 às 21h, e aos domingos, das 17h às 21h
Classificação: Livre, exceto nas Galerias Mari’Stella Tristão (18 anos) e Arlinda Corrêa Lima (16 anos)
Informações para o público: (31) 3236-7400
Enzo Menezes é chefe de reportagem do portal da Itatiaia desde 2022. Mestrando em Comunicação Social na UFMG, fez pós-graduação na Escola do Legislativo da ALMG e jornalismo na Fumec. Foi produtor e coordenador de produção da Record e repórter do R7 e de O Tempo



