Candidata ao Miss Brasil é alvo de críticas por origem humilde
Concurso acontece no próximo sábado (8)

O Miss Universo Brasil acontece neste sábado (8) em São Paulo. Ao todo, 27 misses disputam pela chance de carregar a faixa do país no Miss Universo, que acontece em El Salvador em dezembro. Dentre as candidatas, está a marisqueira Beatriz Militão, de 25 anos, que representa o Ceará no concurso. Filha de pescador, ela revela que é alvo de críticas por sua origem humilde.
Beatriz é a caçula de 15 irmãos e foi criada em Trairi, no litoral cearense. Ao G1, ela relatou que, além de mensagens de apoio, também recebe muitas críticas. “Recebo mensagens bem ácidas de pessoas que dizem que eu não deveria ser miss, pois não falo outros idiomas e não tenho oratória perfeita. Venho de uma família humilde”, conta.
Além disso, ela completa: “Exigir tantos atributos que só uma parcela de mulheres têm acesso é ceifar o sonho de meninas carentes que sonham em ser miss".
Não é só a Miss Ceará
Além dela, outras misses que concorrem pela coroa já foram alvos de críticas nas redes sociais. Dentre elas, Isalu Souza, a Miss Minas Gerais. Em entrevista à Itatiaia no início de maio, a ouro-pretana, que é filha de diarista e de segurança, explicou que a origem humilde não a distanciou da busca por conhecimento.
Ela conta que sempre estudou em escolas públicas e passou em primeiro lugar em jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). “Sempre tive uma vida muito humilde, mas sempre imersa em diversas atividades culturais graças a minha mãe, que sempre lutou para me inserir nesses ambientes em que outras crianças da minha realidade social talvez não pudessem. Acredito que todo diferencial da minha construção tenha vindo desse berço cultural”, conta.
Para ela, o concurso foi um enorme desafio por vários motivos. “Surgiu como um chamado na minha vida, porque foi um convite. Eu não fui até ele, ele veio até mim. Desde o início, eu sempre tive que correr atrás de muitas coisas e me esforçar muito por ser algo que não estava diretamente ligado ao meu dia a dia”, explica.
Ela revela ter recebido muitos “nãos”, mas recorda com alegria de quem sempre a apoiou. “Recebi muitos ‘nãos’ aqui na minha cidade em relação a apoio, seja financeiro ou com materiais, como a montagem do guarda-roupa para o confinamento”. Sobre os “sins”, ela enfatiza: “Me deram forças para continuar lutando pelo que eu acredito”.
Outra miss já desabafou nas redes sociais após críticas. Trata-se da mineira Gabriela Botelho, que carrega a faixa de Sergipe no concurso. Após não se classificar em Minas Gerais, ela chegou a fazer um desabafo. “Por muitos anos eu achei que não tinha valor. Comecei a trabalhar como modelo aos 4 anos e o mundo da moda consegue ser muito cruel. Aos 8, ouvi que precisava fazer rinoplastia. Os anos foram passando, meu corpo se desenvolvendo e as críticas e comentários sobre ele começaram. Que eu era bonita de rosto, mas não de corpo, que eu não era magra o suficiente e que eu nunca teria sucesso por causa do meu quadril”, escreveu.
Gabriela relembra que lutou contra a depressão e bulimia. Hoje, mesmo com as críticas, ela diz que aprendeu a se aceitar e se valorizar. “O mundo miss foi muito importante pra mim, porque me mostrou que a beleza é universal. Ela possui tamanhos, formas e nacionalidades diferentes. Estou em um lugar que posso ser 100% a Gabi: a altruísta, a comunicadora, a poderosa e que carrega as curvas brasileiras no corpo”.
Por não ter sido classificada em Minas, Gabriela foi escolhida pela organização do Miss Universo Sergipe para representar o estado no concurso. Neste período, a decisão da mineira dividiu opiniões nas redes sociais e, para tentar cessar críticas, ela criou uma campanha chamada "Um Universo", visando a união das torcidas.
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.
