Entenda como atuava a 'máfia dos concursos' denunciada por fraude em certame da PF
Grupo é acusado de vender aprovações por até R$ 500 mil e usar tecnologia para burlar provas em diferentes estados

O Ministério Público Federal na Paraíba (MPF-PB) denunciou dez pessoas suspeitas de integrar um esquema criminoso conhecido como “máfia dos concursos”, investigado por fraudar um certame da Polícia Federal realizado em 2025.
Segundo a denúncia, divulgada nesta terça-feira (28), o grupo atuava de forma organizada em pelo menos três estados — Paraíba, Pernambuco e Alagoas — com o objetivo de manipular resultados de concursos públicos. As investigações indicam que a fraude, neste caso, teria como foco o cargo de delegado, beneficiando um dos envolvidos de forma indireta.
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De acordo com o MPF, há indícios como movimentações financeiras consideradas atípicas e troca de mensagens que apontam a participação dos denunciados no esquema. A organização funcionava com divisão de tarefas, incluindo gestores, intermediários, responsáveis por resolver provas, operadores de tecnologia e candidatos beneficiados.
O esquema tinha lógica comercial: os valores cobrados variavam conforme o salário do cargo pretendido e podiam ultrapassar R$ 280 mil por candidato. Em investigações mais amplas, a Polícia Federal identificou cobranças que chegavam a R$ 500 mil.
Entre os crimes apontados estão organização criminosa, fraude em certame público, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade ideológica e obstrução de investigação.
Dois dos denunciados chegaram a firmar acordo de colaboração premiada, mas o MPF pediu a revogação do benefício. Segundo o órgão, ambos teriam descumprido os termos ao omitir informações relevantes e continuar praticando atividades ilícitas.
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Como funcionava o esquema
As investigações revelam que o grupo era liderado por uma família de Patos, no Sertão da Paraíba, e atuava há mais de uma década. Para burlar os sistemas de segurança das bancas organizadoras, os envolvidos utilizavam métodos sofisticados, como uso de pontos eletrônicos implantados cirurgicamente, dublês e comunicação em tempo real durante as provas.
Além de dinheiro, os pagamentos podiam ser feitos com bens como veículos, ouro e até serviços, como procedimentos odontológicos.
Segundo a Polícia Federal, o esquema teria atingido diversos concursos públicos no país, incluindo seleções da própria corporação, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, de polícias civis e militares, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do Concurso Nacional Unificado (CNU).
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



