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Mineira ganha bolsa de R$ 2 milhões para cursar universidade nos EUA

Beatriz Barbosa, de 18 anos, vai cursar Relações Internacionais e Matemática Aplicada na Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos; no Brasil, ela foi aprovada na USP, Unicamp, UFMG, UFPR e UNESP

Por, Belo Horizonte
Mineira ganha bolsa de quase R$ 2 milhões para cursar universidade nos EUA • Ana Luiza Pereira / Itatiaia

A belo-horizontina Beatriz Barbosa, de 18 anos, ganhou uma bolsa de quase R$ 2 milhões para cursar Relações Internacionais e Matemática Aplicada na Universidade de Notre Dame, em Indiana, nos Estados Unidos. A boa notícia foi sucedida por outras aprovações expressivas no Brasil, como na Universidade de São Paulo (USP), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Apesar das conquistas em instituições brasileiras, a mineira escolheu a universidade americana para dar continuidade nos estudos. Em entrevista à Itatiaia, Beatriz Barbosa contou que a participação em uma olimpíada de matemática em Singapura, no Sudeste Asiático, em 2022, deu início ao sonho de estudar no exterior.

“Lá foi quando meu mundo abriu e aí eu comecei realmente a sonhar a estudar fora”, relatou a belo-horizontina.

Beatriz parte para os Estados Unidos em agosto, quando dará início a uma jornada de quatro anos focada nas duas áreas que mais ama. Para o futuro, o grande objetivo da jovem é fazer parte do Conselho de Estatística da Organização das Nações Unidas (ONU), seção focada em colher dados e lançar os índices e relatórios.

À Itatiaia, a estudante contou que o caminho para conseguir a aprovação na Universidade de Notre Dame passou por diversas experiências vividas por ela, como simulações da ONU, trabalho voluntário no interior de Minas e as próprias olimpíadas de matemática. Para além da jornada acadêmica, Beatriz contou que vivências relacionadas às paixões dela fizeram toda a diferença para a aprovação.

“Eu criei um projeto de olimpíadas também numa escola pública do interior, então eu descobri assim meu lado e minha paixão por dar aula, por compartilhar um pouquinho com esse conhecimento”, contou Beatriz. A iniciativa da estudante em Virginópolis, na Região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, rendeu medalhas de honra ao mérito para alunos do colégio na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e na Olimpíada Canguru de Matemática Brasil.

Nos últimos anos, a jovem, formada no Colégio Magnum, em BH, acumulou diversas medalhas em competições realizadas tanto no Brasil quanto no exterior. Além da Singapura, Beatriz já participou de olimpíadas na China e na Indonésia. Outra experiência marcante foi a simulação da ONU de Harvard, a Harvard Model United Nations, nos Estados Unidos.

Além da universidade americana, a estudante conquistou aprovações em algumas das melhores federais brasileiras, e na University College Dublin, na Irlanda, no curso de Economia, Matemática & Estatística.

Feitos no Brasil

No curso de Relações Internacionais, Beatriz foi aprovada na USP e na UNESP. A jovem também conquistou nota para estudar Estatística na Unicamp, na USP e na UFMG, onde ficou em 1° lugar na colocação do Sistema de Seleção Unificada (SISU). Ela conseguiu, ainda, aprovação na Universidade Federal do Paraná (UFPR) no curso de Matemática, onde também foi a primeira na chamada regular.

A escolha de ir para os Estados Unidos, no entanto, veio antes mesmo da aprovação nas outras universidades, por uma questão relacionada ao cronograma da divulgação dos resultados. Mas o motivo da decisão não foi nada aleatório: a jovem queria a oportunidade de estudar os dois cursos que mais amava, algo que no Brasil seria mais complicado. Outro ponto que ajudou na decisão foi uma experiência vivida no ano passado na Universidade de Notre Dame, quando ganhou uma bolsa de estudos para um programa de verão.

“Em julho do ano passado, eu recebi uma bolsa para um programa de verão na Universidade de Notre Dame, que é a universidade na qual eu vou estudar. E aí eu me apaixonei. Eu voltei sabendo que, realmente, aquele era meu lugar, aquele era meu sonho”, contou.

Bolsa de estudos

Beatriz contou à Itatiaia que sempre foi muito realista, principalmente sobre as chances de realmente poder ir para a faculdade nos Estados Unidos, uma vez que os custos no país e do próprio curso são muito caros.

“Quando eu descobri que realmente era possível ir, foi um outro patamar assim do meu coração. Então, a bolsa cobre sim tanto a mensalidade da faculdade, quanto moradia, alimentação, os livros e eu ainda vou ter um dinheiro para me manter lá”, disse.

Parte da bolsa de Beatriz é promovida pela Fundação Stamps pelo mérito dela. Já outra porcentagem foi custeada pela própria universidade de Notre Dame. A família da estudante terá que arcar apenas com cerca de 500 dólares (R$ 2.627 na cotação deste sábado, 28) por ano pelos estudos da jovem.

Rotina e dedicação

Para conseguir aprovação na Universidade de Notre Dame, a mineira teve que fazer o vestibular americano, conhecido como Scholastic Assessment Test (SAT), além de enviar uma série de documentos como, por exemplo, uma carta de intenção. A preparação durou cerca de três anos.

“Eu comecei a me organizar muito na questão do tempo que eu tinha, então eu tinha três anos, e também para conciliar um pouco o sistema de ensino brasileiro com o sistema de ensino lá fora, o sistema educacional, que é muito diferente, especialmente na hora de pensar nas aprovações mesmo das universidades”, contou.

Em 2025, o ritmo dos estudos acelerou. “Ano passado foi um ano muito intenso, especialmente porque minha aula era integral, eu tinha aula todos os dias de manhã e à tarde. Então, eu ficava na escola das 7 horas da manhã às 6 horas da tarde. E à noite eu tentava me organizar assim, especialmente separando dias”, explicou.

“Tinha dias que eu focava no SAT, que é o americano. Tinha dias que eu focava no vestibular da USP, tinha dias que era o vestibular da Unicamp. Tinha dias que eu pensava mais no processo mesmo, na parte mais logística do processo de estudar fora, que é sobre escrever redações, que é preencher os formulários. Então, foram também poucas horas de sono por um ano, mas que com certeza valeram a pena”, continuou.

Meses até a partida

Enquanto agosto não chega, Beatriz decidiu ocupar o tempo trabalhando. Pensando na paixão por compartilhar conhecimento, a mineira passou a dar aulas de reforço escolar para cerca de 20 alunos. Com o inglês na ponta da língua, a jovem usa o tempo que sobra para aprender francês.

Há poucos meses de começar a viver no novo país, Beatriz comentou sobre a sensação agridoce da espera.

“Tem dia que eu acordo e falo: ‘Meu Deus do céu, eu estou realizando o maior sonho da minha vida, daqui não vejo a hora de as aulas começarem’, mas tem outros dias que eu fico assim: ‘Meu Deus, as coisas vão mudar muito. Eu vou ficar longe da minha família, dos meus amigos’, mas eu tenho certeza que vai valer a pena”, relatou Beatriz sobre a expectativa.

Iniciativa da estudante em Virginópolis, na Região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, rendeu medalhas de honra ao mérito na Obmep e na Canguru para alunos do colégio • Arquivo pessoal
Iniciativa da estudante em Virginópolis, na Região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, rendeu medalhas de honra ao mérito na Obmep e na Canguru para alunos do colégio • Arquivo pessoal

 

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo