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Metaverso do Facebook tem denúncia de assédio sexual

Sem moderação, o ambiente é tóxico, especialmente para avatares com aparência e voz feminina

Ambiente digital do metaverso já está cheio de conteúdo danoso

A plataforma Horizon Worlds, da Meta, foi palco de uma ocorrência de assédio sexual. O ambiente está em teste nos EUA e no Canadá para usuários com mais de 18 anos. A vítima foi uma pesquisadora da organização Sum of Us, enquanto ela investigava o comportamento de usuários no metaverso da empresa.

Para a Meta, o metaverso é o futuro das interações sociais online. Ainda em desenvolvimento, o conceito implica o uso de avatares e a criação de ambientes digitais acessados a partir de equipamentos de realidade virtual. Na plataforma, é possível se reunir com até 20 pessoas. Lá, os participantes podem explorar, conversar e construir em um espaço digital. O serviço está disponível apenas a partir do uso dos óculos de realidade virtual Quest 1 e Quest 2. 

A profissional atacada visitava o ambiente virtual e foi convidada para uma festa privada na plataforma. Lá, foi assediada por dois avatares masculinos. Um vídeo mostra a perspectiva dela daquele momento: um avatar masculino se aproxima enquanto outro segura uma garrafa. Ambos fazem comentários obscenos.

Esse não é o primeiro caso de assédio sexual ocorrido dentro do metaverso. Em fevereiro, após a primeira situação, a Meta determinou um distanciamento mínimo de cerca de 1 metro entre os usuários da plataforma para criar mais espaço pessoal e dificultar interações indesejadas. Segundo a Sum of Us, os agressores pediram que a pesquisadora desabilitasse o distanciamento.

A organização relata que o comportamento tóxico está relacionado com a pouca moderação existente no ambiente. “Isso normaliza o assédio sexual, especialmente para avatares com aparência ou voz feminina”, aponta.

Desinformação e despreparo

A Sum of Us alerta para as mesmas condições tóxicas existentes em outras plataformas sociais. Incluem-se aí comentários misóginos, homofóbicos e racistas, um sistema de denúncias aquém da necessidade e falta de punição para os infratores. Para a organização, a Meta não parece preparada para lidar com a situação, assim como não estava para administrar a desinformação que afetou as eleições presidenciais americanas de 2016 e a vida durante a pandemia.

O metaverso Horizon Worlds está em teste nos EUA e no Canadá

Com 300 mil usuários, o ambiente da Horizon Worlds já está repleto de conteúdo danoso. “Sem ação urgente, isso só vai piorar”, aponta a Sum of Us. “Enquanto a Meta não for responsabilizada pelos reguladores pelos danos encontrados em suas plataformas nem houver controle sobre suas práticas ​​de coleta de dados, o metaverso provavelmente se tornará mais sombrio e tóxico”, completa. A Meta não comentou a situação.

A empresa não é a única nesse mercado, mas tem dinheiro e é uma das maiores fabricantes de óculos de realidade virtual — nos quais pode incluir seu próprio software. O objetivo da companhia é ter os dados dos usuários como sua fonte primária de renda no metaverso. 

A Sum of Us destaca, entretanto, que a quantidade de informações coletadas é muito maior do que se pensa. Basta lembrar que os dispositivos de realidade virtual poderiam rastrear movimento de olhos, expressões faciais e temperatura corporal. “Podemos esperar uma versão ainda mais distópica de vigilância.”

Estupro coletivo virtual

E o assédio vai ainda mais longe. Uma usuária reclamou de ser apalpada virtualmente por um estranho e a Meta diz que ela usou os recursos de segurança de forma inadequada. Outra contou que seu avatar feminino foi vítima de estupro coletivo virtual por 60 segundos por um grupo de três ou quatro avatares masculinos.

Em Horizon Worlds, quando a mão de outro avatar toca o avatar do usuário, o controle de realidade virtual que fica na mão do participante vibra. A pesquisadora da Sum of Us que foi atacada descreveu a sensação como “uma experiência física desorientadora e perturbadora”.

O relatório da Sum of Us se concentra na Meta, mas serve de alerta para outras empresas do setor. A toxicidade, a desinformação e a divisão onipresentes nas plataformas sociais já estão no metaverso. Se isso não for tratado logo, o futuro dele pode ser menos Ready Player One e mais Black Mirror.

Fonte: Fast Company

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