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Morador morto por PM na Vila Barraginha: ligações para o 190 citam arma em punho e coronhada  

Promotoria de Justiça de Contagem e a Corregedoria da Polícia Militar apuram o caso  

Família acusa policial de execução

A reportagem da Itatiaia teve acesso a chamadas de moradores da Vila Barraginha, em Contagem, para a Polícia Militar (PM) no último sábado (16), antes da abordagem policial que terminou com a morte de Marcos Vinícius Vieira Couto, de 29 anos, conhecido como Marquinhos. Foram essas três ligações para o 190 que culminaram na ocorrência com ação do militar que atirou três vezes no morador. Ele tinha passagens por tráfico.

“Por favor, aqui é da Vila Barraginha. Está tendo uma festa de quadrilha. Tem um cara aqui, com nome de Marquinhos, é um perigoso aqui, chefe do tráfico, e ele está com essa arma grande, pistola, ameaçando o pessoal aqui. Parece que está sem bala. Ele tacou a ponta do cano na cabeça do rapaz, perto dos cílios e tá aquela sangueira”, diz o primeiro chamado.

“Outro morador, que também ligou para o 190, cita tiros e correria. “Gostaria de denunciar uma troca de tiros em uma festa junina. É muita gente. Estava tendo uma festa junina, todo mundo correu para dentro de casa”, relatou. “Já tem um pedido de viatura por conta de uma ameaça. Vou pedir para agilizar a chegada”, respondeu a atendente.

No terceiro chamado, o morador informa uma pessoa apontando uma arma para pessoas que estavam na festa. “Tem um rapaz aqui com arma na mão que tá muito doido. Ele está apontando a arma para todo mundo. Estava na festa e ele chegou apontando arma pra todo mundo e parece... ele começou a dar uns tiros aqui. Já está efetuando disparos”, disse, solicitando prioridade no atendimento. “Peço que venha, porque ele está dando tiro para tudo que é lado. Tinha uma festa, mas a festa até terminou, o pessoal se escondeu, porque ele chegou com arma em punho”, descreveu.

Apesar dos relatos, moradores e familiares de Marcos negam tiroteio. Vídeos gravados no local também mostram o homem desarmado.

O homem que teria levado a coronhada foi expulso da Vila Barraginha por moradores da comunidade, que o responsabilizaram por ter acionado a PM. Ele teve o carro depredado e precisou sair do local às pressas com toda família.

Versões

A Promotoria de Justiça de Contagem e a Corregedoria da Polícia Militar apuram os fatos. Polícia e familiares têm versões diferentes para o crime. Em coletiva no domingo (17), a porta-voz da PM reafirmou que Marcos reagiu e levou a mão na direção da arma do militar. Parentes da vítima e moradores contestam.

A major explicou que já no acionamento da PM moradores destacaram a periculosidade do suspeito e alertaram que ele teria efetuado disparos com arma de fogo. Conforme a PM, Marcos tem nove conduções por tráfico, sete prisões por porte de arma e uma por comércio ilegal de arma.

A porta-voz diz ainda que Marcos resistiu à abordagem e, como várias pessoas se aglomeraram no local, os militares tentaram levar o suspeito para uma ‘área de segurança, mais tranquila’.

“Ele se nega, começa a se tornar ali um abordado desobediente, e um dos nossos policiais militares pega ele pela camisa e começa a conduzi-lo para essa área de segurança. Durante essa condução, próximo a trazer ele para uma das nossas viaturas policiais, ele reage tirando a mão da cabeça e levando a mão próximo ao rosto do policial militar e próximo ao armamento, na tentativa de arrebatar esse armamento. E aí, segundo o policial militar, nessa reação do autor, que já estava apresentando toda essa alteração anterior e essa possibilidade de ele estar armado, ele efetua disparos de arma de fogo pra salvaguardar a própria vida e evitar que ele arrebate a arma de fogo”. No entanto, vídeos que circulam nas redes sociais mostram o policial levando o homem para atrás de uma kombi e atirando.

Sobre os vídeos, a major diz que as imagens foram recortadas e que aguarda os originais.

“Claramente não mostram toda a ação. Mostram a legalidade inicial daquela abordagem, onde um policial militar faz essa condução para área de segurança, não há tapas, não há ali nenhum esculacho por parte de policial militar nenhum, não há nenhum excesso ali inicial naquela abordagem. E mostram também, apesar dos recortes, essa tentativa de reação desse abordado no sentido de tentar arrebatar a arma do policial militar”, disse.

Família

Na versão de familiares e moradores, Marcos estava desarmado e não reagiu. "Os policiais tentaram levar ele para um beco, mas ele não quis e estava se puxando para trás. Aí o policial levou ele para atrás de uma kombi e fez três disparos na cabeça dele. Ele não reagiu em momento nenhum. A rua estava cheia de morador. Todo mundo viu. Tenho as filmagens. Eles estão falando que meu irmão pulou no fuzil, mas é mentira”, disse uma irmã de Marcos.

Ela admite que o irmão teve envolvimento com o tráfico, mas garante ele já tinha deixado o mundo do crime.

OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou no caso. A entidade recebeu informações de que foi a terceira execução em menos de duas semanas no local.

A denúncia feita à entidade aponta ainda que as execuções, incluindo a desse sábado (16), aconteceram "porque o suposto traficante e outros não 'pagaram' os valores de suposta corrupção cobradas e devidas aos policiais".

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