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Dia Mundial do Orgulho Autista: conheça os diferentes sinais da condição

Embora os sintomas configurem o núcleo do transtorno, a gravidade e a apresentação em cada indivíduo é variável, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

O transtorno do espectro do autismo (TEA) é uma condição de desenvolvimento neurológico, definida por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos ou interesses repetitivos ou restritos.

Embora os sintomas configurem o núcleo do transtorno, a gravidade e a apresentação em cada indivíduo é variável, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O transtorno é permanente, sem possibilidade de cura, mas o diagnóstico e a intervenção precoces contribuem para alterar o prognóstico, suavizar os sintomas e ampliar a qualidade de vida.

Neste domingo (18), o Dia Mundial do Orgulho Autista destaca a importância do conhecimento individual e coletivo das características diversas do espectro do autismo, com o objetivo de reduzir o estigma e o preconceito associado à condição.

Diagnóstico e intervenção

Diferentes condições de desenvolvimento neurológico e associadas a dificuldades de sociabilidade englobam o transtorno do espectro do autismo. O Ministério da Saúde aponta que os sinais do neurodesenvolvimento da criança podem ser percebidos nos primeiros meses de vida, com o diagnóstico estabelecido entre 2 e 3 anos de idade.

A palavra “espectro” é adotada com o objetivo de incluir as diversas situações e apresentações do autismo, em níveis que vão de leve a grave. Nesse contexto, evita-se a visão equivocada de que a condição se manifeste da mesma forma para todas as pessoas.

“Para que seja fechado o diagnóstico existem dois critérios. Um transtorno na interação e comunicação social associado a um padrão restrito ou repetitivo de comportamento. Essa dificuldade da criança interagir com outras crianças, principalmente com os pares – às vezes, tem uma interação até que relativamente boa com adultos, mas a interação com os pares é prejudicada”, explica a neuropediatra Christiane Cobas, do Hospital Sírio-Libanês.

Entre os quadros estão dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldade de socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

“Na questão da comunicação social, pode ter crianças com autismo que falam, mas há uma dificuldade de se contar ou recontar uma história. Mesmo que ela fale, a fluência não é típica, é o que chamamos de atípica”, detalha Christiane.

Especialistas apontam que a identificação de atrasos no desenvolvimento, bem como o diagnóstico precoce pode trazer benefícios. O encaminhamento para intervenções comportamentais e o apoio educacional na idade mais precoce possível ampliam a qualidade de vida de quem vive com o autismo.

Causas

A causa do transtorno do espectro do autismo ainda permanece desconhecida. Evidências científicas apontam que a origem seja relacionada a uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

Nesse contexto, os componentes genéticos envolvem centenas ou milhares de genes cuja atuação pode ser influenciada por fatores como a idade avançada dos pais no momento da concepção, negligência extrema dos cuidados da criança, exposição a certas medicações durante o período pré-natal, além do nascimento prematuro e baixo peso ao nascer, de acordo com a SBP.

O TEA tem origem nos primeiros anos de vida, com manifestações distintas para cada pessoa. Algumas crianças podem apresentar os sintomas logo após o nascimento. Porém, na maioria dos casos os sinais são identificados entre os 12 e 24 meses de idade.

Em média, o diagnóstico é feito entre 4 e 5 anos de idade, o que pode atrasar a adoção de medidas de intervenção que trazem ganhos ao funcionamento cognitivo da criança.

Sinais de alerta

De acordo com a SBP, são sinais sugestivos no primeiro ano de vida a perda de habilidades já adquiridas, como balbucio ou gesto de alcançar, contato ocular ou sorriso social, a ausência de reação a sons, ruídos e vozes no ambiente e de sorriso social.

Os sinais também incluem baixo contato ocular e dificuldade para sustentar o olhar, além de baixa atenção à face de outras pessoas e demonstração de maior interesse por objetos do que por indivíduos.

“Um dos primeiros sinais do autismo está no contato visual. Perguntamos, por exemplo, às mães se elas percebiam se a criança mantinha ou não contato visual durante a amamentação. Às vezes, esse contato não é olho a olho”, diz a neuropediatra. “Pode haver também a hipersensibilidade, que pode ser auditiva, como uma criança que se incomoda muito com os barulhos. Ou na pele, como hipersensibilidade ao toque nas crianças que preferem não ficar no colo, andam na ponta dos pés, não gostam de pisar na areia ou pegar em massinha de modelar, por exemplo”, completa.

A criança também pode apresentar pouca ou nenhuma vocalização, rejeitar o toque, não seguir objetos e pessoas próximos em movimento e não responder ao nome (veja o quadro).

Diferentes tipos de autismo

De acordo com o quadro clínico, o TEA pode ser classificado em clássico, de alto desempenho ou distúrbio global do desenvolvimento sem outra especificação.

O autismo clássico, por exemplo, apresenta grau de comprometimento variável. De maneira geral, os indivíduos são voltados para si mesmos, não estabelecem contato visual com as pessoas ou com o ambiente. Apesar de falar, mas não usam a fala como ferramenta de comunicação.

São capazes de entender enunciados simples, mas têm dificuldade de compreensão e tendem a aprender o sentido literal das palavras. Nesse sentido, não compreendem metáforas ou frases de duplo sentido.

Nas formas mais graves, há ausência completa de contato interpessoal.

No autismo de alto desempenho, chamado anteriormente de síndrome de Asperger, os indivíduos apresentam dificuldades semelhantes, mas em medida consideravelmente reduzida. Conseguem se comunicar e apresentam inteligência, principalmente no conhecimento que buscam se especializar, devido ao interesse fixo em temas.

As pessoas são consideradas parte do espectro do autismo, sem sintomas suficientes para incluí-los em alguma categoria, o que torna o diagnóstico mais difícil, o que caracteriza o distúrbio global do desenvolvimento sem outra especificação.

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