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Mais produtividade: Epamig pesquisa 16 novos cultivares de café no estado

Umas das propriedades escolhidas para os testes é a fazenda Ecoagrícola, que fica em Francisco Dumont, na Serra do Cabral, e já figura entre os dez melhores cafés do país

Epamig vai pesquisar 16 cultivares de café de grande potencial produtivo

Epamig vai pesquisar 16 cultivares de café de grande potencial produtivo

Maria Teresa Leal/Itatiaia

Um dos desafios enfrentados pela fazenda Ecoagrícola, na Serra do Cabral, região centro-norte de Minas, foi ajustar a mecanização com o intuito de reduzir a dependência da mão de obra. Houve a necessidade de aprimorar alguns processos como uma colhedeira de café de primeira safra e uma plantadeira, que existiam apenas na versão manual, além de um pulverizador mais longo para pulverizar as lavouras mais altas. “Pra nós, esses pequenos-grandes desafios têm sido vencidos e superados, mas, para a grande maioria dos cafeicultores, eles ainda são um enorme desafio”, diz Pedro Henrique Veloso, diretor agrícola do grupo.

Foi justamente essa alta tecnificação e boa estrutura que fizeram com que a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) escolhesse, em 2021, a Ecoagrícola, para instalar uma unidade de referência. O objetivo? Pesquisar 16 cultivares de café de grande potencial produtivo. Outras unidades de referência tecnológica foram instaladas em outras 39 áreas representativas da cafeicultura no estado, onde também estão sendo feitos estudos com cultivares selecionadas.

A EPAMIG vai acompanhar os trabalhos por quatro colheitas, avaliando a capacidade produtiva e potencial de qualidade sensorial da bebida de cada uma das cultivares. O engenheiro agrônomo e pesquisador da Epamig. Gladyston Carvalho avalia que o fato da região ser plana e ter grandes extensões de área, contribui para a escolha da Serra do Cabral por grandes empreendimentos.

Outros pontos favoráveis, segundo Gladyston, são: a boa altitude, que oscila em torno dos 1100 metros (boa para o desenvolvimento dos cafeeiros e a qualidade sensorial da bebida), solos profundos e com boas características físicas e disponibilidade de água para irrigação.

Ele acredita que projetos como esse e outros que já estão por lá, certamente irão contribuir para o fortalecimento da cafeicultura mineira, gerando novas divisas, novos parceiros comerciais e novos sabores e aromas para os cafés mineiros.

“Onde o café chega a gente percebe mudanças do ponto de vista social econômico muito grandes, com a atração de indústria de insumos, máquinas e equipamentos e o fortalecimento da prestação de serviços. Essa é uma excelente oportunidade para a região Norte do estado que já tem boa tradição na silvicultura, horticultura e pecuária e agora tem tudo para se tornar uma nova referência da produção de cafés especiais no país”.

Que o diga a encarregada de campo do grupo Cedro, que também atua na região, Marília de Jesus Fonseca, de 26 anos. Ela tem o curso técnico em Agricultura, mas nunca tinha tido a oportunidade de atuar na área. Trabalhava como caixa de um pequeno supermercado em Francisco Dumont. “Fiquei sabendo que um grande grupo estava se instalando na região para plantar café. Fiz a inscrição, fui selecionada e hoje estou muito feliz. Acredito que eu tenha um grande futuro na empresa porque amo meu trabalho, cada dia aprendo uma coisa nova e estamos apenas no começo”. Tayná Rafaela Caetano, de 19 anos, também foi contratada pelo Grupo Cedro. Sua função é cuidar do viveiro de mudas, o ‘berçário do cafezinho’, como é chamado carinhosamente pelos trabalhadores. “Eu faço de tudo um pouco. Trabalhar aqui é muito bom porque a gente é bem tratado. Quero crescer aqui, só ainda não sei como. Espero descobrir com o tempo’.

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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