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Floricultura comemora R$ 8 bilhões de exportações até setembro

Depois de amargar tempos difíceis com o cancelamento de eventos durante a pandemia, setor retoma fôlego

A 50ª edição da Festa das Rosas de Barbacena voltou a ser realizada no início do mês

A 50ª edição da Festa das Rosas de Barbacena voltou a ser realizada no início do mês

Divulgação Emater


Um dos ramos da agricultura que mais sentiu o impacto da pandemia da Covid-19, o da floricultura e plantas ornamentais, começa a retomar fôlego. Uma ótima notícia para os produtores que amargaram enormes prejuízos e passaram tempos difíceis. De acordo com dados da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor movimentou, ao todo, R$ 11 bilhões em 2021. Este ano, até setembro, foram quase R$ 8 bilhões apenas em exportações, grande parte para os países baixos, Itália e Estados Unidos da América.

A maior demanda é para o segmento da decoração de eventos como casamentos, formaturas e festas de 15 anos, sendo o destino de quase 30% da produção. Autosserviço e paisagismo vêm em seguida, com 21% e 20% do mercado, respectivamente. O presidente da Associação dos Produtores de Flores e Plantas de Minas Gerais, Flávio Vieira, conta que a partir de agosto, o mercado parece ter “acordado” de fato e tem dado sinais de recuperação. “Passamos a fase mais difícil de toda a nossa história. O movimento caiu 80%. Muitos produtores simplesmente abandonaram a atividade migrando para outros segmentos do agronegócio”, disse Flávio, que trabalha no mercado de flores e plantas há 35 anos.

“Diferente de outros ramos da agricultura, que produz alimentos, a produção de flores não é um serviço essencial. Por isso, fomos um dos setores que mais sentiu o impacto da paralisação dos eventos”, diz Mário Raimundo de Melo, produtor de rosas de Barbacena. Ele está no ramo há 25 anos, tem 4 hectares plantados e está preparando o solo para expandir sua produção. Atualmente, colhe cerca de 150 mil dúzias por ano e a ideia é aumentar. “Estamos fechando um convênio com a Cooperativa de Holambra (SP) para vendermos em parceria com eles”, afirmou.


Festa das Rosas

Depois de dois anos de hiato, a 50ª edição da Festa das Rosas de Barbacena voltou a ser realizada no início do mês. Ralf de Araújo produz mudas de orquídeas e foi um dos expositores. Ele disse que sentiu o impacto do mercado durante os dois últimos anos, por isso seu principal objetivo na festa foi divulgar o nome da sua empresa. “É claro que vender também é importante. Mas muito mais do que isso, quero conhecer o mercado, ser conhecido e divulgar o meu produto. Eu trabalho a Cattleya Walkeriana, uma espécie de orquídea muito apreciada no exterior, principalmente no Japão”, contou.


Inovação

Raphael Fonseca, de Juiz de Fora, aproveitou a pandemia para investir em uma nova carreira. Ele e a família já tinham a produção de flores como renda extra mas, durante o isolamento, viu o complemento se transformar na renda principal. “Foi bem difícil no início, o que nos salvou foram as vendas pela internet. Eu tinha algumas orquídeas no viveiro, mas não era uma grande produção. De 2020 para cá, percebi que o delivery de plantas era uma opção a ser explorada e decidi me dedicar”.

Já Anderson Condé, de Desterro do Melo, é a prova de que dá para crescer durante crises. Ele cultiva suculentas e disse que as vendas on-line durante a pandemia dispararam. “Com as pessoas passando mais tempo em casa, voltaram seus olhos para o ambiente doméstico. Isso levou a um salto nas vendas de plantas para casa, em especial as suculentas. Esses dois anos foram o boom desse mercado”, contou ele, que relatou também uma forte tendência de mercado com as chamadas urban jungle (selva urbana, em inglês), que é um estilo de decoração que prioriza a profusão de plantas e elementos ligados à natureza. “Para compor esses ambientes temos quadros vivos, plantas ornamentais, vasos e diversas opções para pessoas que pretendem deixar o ambiente delas com mais presença de natureza”, afirmou.

Respaldo para o produtor

O 1º vice-presidente de finanças do Sistema Faemg, Renato Laguardia, que é de Barbacena, disse que a produção local é comandada por pequenas propriedades. “Os produtores da região foram uns dos primeiros a sentir os problemas da pandemia. Muitos tiveram que mudar de ramo. Mas os que permaneceram, agora, colhem os frutos com essa retomada do mercado, com muitas vendas para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Juiz de Fora. Manter esses floricultores é importante até pela identidade da cidade. O Sistema Faemg está incentivando e promovendo a retomada do mercado para eles”, disse Laguardia.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Barbacena, Rubens Lobato, reiterou que a instituição está de braços abertos para receber esses produtores. “Nossas rosas são reconhecidas no mundo inteiro. Nossos produtores estão sempre em busca de se atualizar e encontrar novos mercados. Temos diversas opções de programas que podem beneficiar esses floricultores, inclusive com a proposta de desenvolvimento de um grupo de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) que possa atender a essa cadeia”, contou.

(*) Com informações do Sistema FAEMG

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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