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Com a expansão do agro, está sobrando emprego no campo

As vagas são para profissionais variados: desde engenheiros-agrônomos, zootecnistas, médicos-veterinários a ordenhadores e operadores de drone

O curso de operador de drones é um dos mais procurados no Sistema FAEMG

Você aceitaria morar ou trabalhar na área rural em troca de uma melhor remuneração? Com a expansão, a profissionalização e a tecnificação do agronegócio, há vagas sobrando no campo para engenheiros agrônomos, florestais, agrícolas, zootecnistas, médicos-veterinários, técnicos agrícolas e várias outras competências que vão desde operador de drones a ordenhadores.

O analista de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEMG/SENAR (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais / Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Ricardo Tuller, diz que o Sistema tem 180 vagas para engenheiros agrônomos, florestais ou agrícolas, zootecnistas, médicos-veterinários e técnicos em agropecuária em todo o Estado, totalizando uma equipe de 630 profissionais até o final do ano. “Eles devem atuar nas propriedades rurais como técnicos do ATeG, que é um programa de assistência técnica e gerencial. Os contratos são para pessoas jurídicas com média salarial de R$ 11 mil”. 

Tuller diz que candidatos para estas vagas até aparecem, mas são poucos os que têm uma postura de comprometimento e seriedade. “Às vezes a pessoa tem um bom currículo, mas só quer cumprir tabela. Não tem sido fácil encontrar quem queira levar conhecimento, ajudando a incrementar a renda dos produtores rurais atendidos. Alguém que se comprometa a estudar as propriedades atendidas, caso a caso, para, ao final de dois anos, pensar: eu mudei a realidade daquele produtor”. 

O programa ATeG oferece assistência técnica e gerencial gratuita para produtores rurais, durante dois anos. O analista do SENAR disse que prefere um profissional sério e comprometido a outro com muitos títulos, mas pouco envolvimento com o trabalho. “Não adianta ser excelente tecnicamente se a pessoa não se comprometer com o trabalho, não participar das reuniões ou não aplicar a metodologia”.

 

Importância da qualificação


Outro gargalo identificado por Ricardo Tuller é a falta de disponibilidade dos produtores rurais e trabalhadores para se qualificarem. O SENAR oferece mais de 300 cursos de formação profissional rural, gratuitos. Mas muitos produtores ainda não enxergam a importância da mão de obra qualificada. “Preferem não liberar um funcionário cinco ou três dias para frequentarem o curso, argumentando que só têm ele. Mas não se atentam para o fato de que esse funcionário sem capacitação, acaba provocando prejuízos, involuntariamente, no dia a dia da propriedade. Penso que seria mais racional pagar um diarista por alguns dias e receber de volta um profissional com muito mais consciência e segurança do seu trabalho. Falta uma visão de longo prazo. Essa é uma mentalidade que precisa ser mudada”.


Os interessados em trabalhar como técnicos do ATeG devem acessar o site www.sistemafaemg.org.br


Falta de internet e de Escolas


A chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Elizabeth Nogueira Fernandes, não tem dúvidas de que esse bom desempenho do setor agropecuário está diretamente relacionado ao aumento de postos de trabalho na zonal rural. “A necessidade de mão de obra qualificada aumentou muito. O avanço do uso de sensores, drones e outros equipamentos de alta densidade tecnológica na agricultura de precisão tem exigido muito conhecimento e treinamento para sua operacionalização”, avalia.

Mas há outra questão para a lacuna de profissionais no campo. De acordo com Elizabeth, nas últimas décadas, muitas escolas rurais foram fechadas e isso foi direcionando as pessoas para os centros urbanos. “A consequência é que, hoje, há muita dificuldade de encontrar quem queira morar no meio rural. As pessoas até trabalham no campo, mas querem morar na cidade, o que é um desafio maior para a produção de leite, por exemplo, que exige proximidade do funcionário do seu local de trabalho. Além disso, é preciso investir mais nos sinais de telefonia móvel e internet rural, pois as pessoas querem se manter conectadas”.

Fato. Mas na fazenda do empresário e agropecuarista Wesley Barbosa de Freitas, no Triângulo Mineiro, tem internet e wi-fi liberado e, mesmo assim, ele tem dificuldade de recrutar profissionais. “Sobra emprego aqui na minha região e falta gente disposta a assumir responsabilidades. E eu nem digo que é difícil conseguir pessoas qualificadas porque isso a gente resolve com cursos, palestras ou mesmo na lida do dia a dia. O que falta é interesse, comprometimento e responsabilidade. É uma questão cultural”, acredita o produtor.

A propriedade dele fica a 10km do centro de Capinópolis. Além do wi-fi, ele oferece transporte e, mesmo assim, é difícil preencher todas as vagas. “Se for para morar na fazenda, então, como é necessário no caso de quem trabalha com a ordenha, aí a dificuldade triplica”, conta Wesley.  “Falta de qualificação não é desculpa. Repito. Tenho funcionários que começaram como aprendizes e hoje são um dos meus ‘cabeças´”.

 

 



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