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Trump pune o Brasil pelo sucesso do Pix, diz vencedor do Nobel de economia

Economista reafirmou que o Pix é o futuro do dinheiro e rebateu os argumentos dos EUA sobre a ferramenta

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Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia
Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia • GENE MEDI / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Vencedor do prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman criticou a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% ao Brasil com base em uma investigação na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Em um artigo publicado em seu blog, nesta segunda-feira (20), o economista teceu uma série de elogios ao Pix e afirmou que o presidente Donald Trump tenta “punir” o país pelo sucesso em criar uma moeda digital.

Krugman reafirmou que o Pix pode ser o futuro do dinheiro, além de rebater os argumentos norte-americanos de que o sistema configura uma prática comercial desleal as empresas de cartão de crédito e débito.

“Quem é prejudicado pelo surgimento do Pix? A capacidade dos brasileiros de fazer pagamentos instantâneos e baratos por meio de seus celulares certamente prejudica os negócios da Visa e da Mastercard, ambas empresas americanas. Mas desde quando é prática comercial desleal uma empresa perder clientes para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?”, indagou.

O economista explicou em seu artigo que, essencialmente, o Pix é uma versão digital do real. Ele destaca que os bancos que atuam no Brasil são obrigados a oferecer a ferramenta, comparando com a exigência de que todos os bancos dos EUA aceitem notas de dólar como depósitos e as distribuam mediante solicitação.

Hegemonia dos EUA

Ele também disse que Trump pode estar preocupado com o fato de que o Pix e sistemas similares possam desafiar a hegemonia do dólar “Na realidade, o Brasil é um ator pequeno demais para causar grande impacto no sistema global de pagamentos. O dólar, no entanto, pode enfrentar um desafio real se o Banco Central Europeu conseguir, como espera , introduzir um euro digital em 2029”, emendou.

Krugman ainda destacou que as tarifas podem ter o efeito contrário do esperado pela administração Trump, fortalecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e permitindo que o Brasil ganhe novos mercados com o desvio do comércio global para outras economias.

“Agora, usar tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso. Politicamente, a medida só fortalecerá o presidente Lula. Economicamente, o alcance das tarifas será limitado pelos temores do governo Trump de que os preços do café, suco de laranja, carne bovina e outros produtos subam ainda mais”, completou.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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