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Prévia da inflação sobe 0,62% em maio com alta no preço dos alimentos

Resultado ainda é levemente acima do esperado pelo mercado financeiro, mas representa uma desaceleração se comparado com o mês passado

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Preço dos alimentos subiu para 71% dos brasileiros
Custo da alimentação segue pressionando o IPCA • Joédson Alves/Agência Brasil

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, subiu 0,62% em maio, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (27). O resultado foi 0,27 ponto percentual (p.p) abaixo da taxa de abril (0,89%), com o acumulado do ano a 3,02%.

Nos últimos 12 meses, de maio de 2025 até maio de 2026, o IPCA-15 foi de 4,64%, acima do teto da meta de 3%, considerando o intervalo de tolerância de 1,5 p.p para mais ou para menos. O resultado ainda é levemente acima do esperado pelo mercado financeiro, que projetava uma alta de 0,57%.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, destaca-se Alimentação e bebidas, com a maior variação (1,38%) e impacto (0,30 p.p.). Em seguida, Habitação (1,03% e 0,15 p.p.) e Saúde e cuidados pessoais (1,05% e 0,14 p.p.) tiveram as maiores influências no resultado geral.

No grupo Alimentação e bebidas (1,38%), a alimentação no domicílio saiu de 1,77% em abril para 1,73% em maio. Contribuíram para esse resultado as quedas da maçã (-2,32%) e do café moído (-2,09%). Por outro lado, destacaram-se as altas da batata-inglesa (26,29%), do tomate (12,97%), do leite longa vida (6,07%) e das carnes (1,98%).

Selic

Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, a desaceleração da prévia da inflação é bem-vinda, mas não é o suficiente para trazer maior tranquilidade ao Comitê de Política Monetária (Copom) na condução da taxa básica de juros, a Selic.

“O contexto ainda é muito influenciado pelos choques de oferta, seja do petróleo, seja do clima, situação que deve continuar pressionada nos próximos meses com a elevada probabilidade de ocorrência de um El Niño forte, que deve pressionar os preços de alimentos e energia elétrica”, explicou Valério.

A projeção para a reunião de junho do Copom é de continuidade do ciclo de cortes da Selic em 0,25 pontos base. Contudo, a expectativa é de uma comunicação mais cautelosa que não dê sinais de novos cortes. Atualmente, a Selic está estimada em 14,5% ao ano, com dois cortes já realizados pelo Banco Central em 2026.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.