Minas assume a 3ª posição entre os estados que mais pedem Ifood no país
Levantamento colocou Belo Horizonte como a quarta cidade que mais pede no iFood em todo o Brasil

Minas Gerais assumiu a terceira posição entre os estados que mais pedem iFood no país, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Já a capital mineira passou a ocupar a quarta colocação entre as cidades brasileiras que mais utilizam o serviço. As informações fazem parte de um conjunto de dados inéditos consolidados pela maior plataforma de delivery da América Latina.
Em entrevista exclusiva à Itatiaia, o CEO do iFood, Diego Barreto, afirmou que Minas está assumindo um papel de protagonismo na plataforma. "O que a gente vê em Minas Gerais é uma mudança de hábito mais rápida e consistente do que em outros estados. O consumidor mineiro tem aprendido a consumir em ocasiões que não são óbvias em outros lugares. O café da manhã, por exemplo, é muito forte em Minas. Essas e outras particularidades começam a montar um perfil próprio do mineiro na plataforma", disse.
Barreto deu detalhes sobre o comportamento dos mineiros na hora de fazer pedidos na plataforma. "Minas é o lugar onde se vê o maior crescimento de pão francês, e o mineiro aprendeu a pedir. Você não vê em São Paulo esse crescimento. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o sushi tem muita força e não está entre os cinco principais pedidos em Minas Gerais", detalhou.
iFood projeta crescimento de 25% em Minas Gerais
Pesquisas apontam que o iFood tem impactado a economia mineira. As operações da plataforma em Minas Gerais geraram R$ 4,8 bilhões em 2024, o equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro — um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Os números são resultado de um estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que também revelou a criação de 92 mil postos de trabalho diretos e indiretos no estado.
À Itatiaia, o CEO do iFood, Diego Barreto, antecipou que a plataforma projeta um crescimento de 25% neste ano, em Minas Gerais. "Minas é um estado prioritário e tem apresentado um desempenho muito forte, tanto no crescimento da plataforma quanto na criação de bons restaurantes, com boas expectativas de sobrevida. Hoje, Minas Gerais já representa 100 mil pessoas trabalhando na plataforma. A gente espera um crescimento de 25%, principalmente em Belo Horizonte, Contagem, Uberlândia, Uberaba e Juiz de Fora. O volume de crédito deve saltar de 600 milhões para 800 milhões em 2026", projetou.
O iFood movimentou R$ 140 bilhões no país, o equivalente a 0,64% do PIB nacional.
Leia a entrevista na íntegra abaixo
Mardélio Couto: Minas Gerais é hoje o terceiro maior estado em número de pedidos no país, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, e Belo Horizonte acaba de assumir a posição de quarta cidade que mais pede iFood em todo o Brasil. Para conversar sobre esses números e muitos outros, nós conversamos com o CEO do iFood, Diego Barreto, que é mineiro de Uberaba. Queria começar falando desse crescimento de Minas Gerais. O estado vem assumindo um protagonismo nesses números no país?
Diego Barreto: Sem dúvida. O que a gente vê em Minas Gerais é uma mudança de hábito muito mais rápida e muito mais consistente do que em vários outros estados da federação. O consumidor mineiro tem aprendido a consumir em ocasiões que não são óbvias em outros lugares. Por exemplo, o café da manhã em Minas Gerais é muito forte, algo que não é comum em todos os estados.
Mardélio Couto: Sobre essas particularidades, o que mais você pode destacar em relação a outros estados como São Paulo e Rio de Janeiro?
Diego Barreto: Minas, em relação a todo o Brasil, é o lugar em que você vê o maior crescimento de pão francês. O mineiro gosta muito de pão francês e aprendeu a pedir de forma conveniente ao invés de ir buscar na esquina, algo que não vemos com a mesma força em São Paulo. Outra diferença marcante: sushi não está entre as cinco principais categorias em Minas Gerais, ao contrário de São Paulo e Rio, onde ocupa as três primeiras posições.
Mardélio Couto: Fala-se que o mineiro é muito tradicional e conservador. Isso se reflete no jeito de pedir?
Diego Barreto: Com certeza. O mineiro opta muito mais pelos restaurantes locais do que pelas grandes marcas nacionais comparado a outros estados. Ele é mais bairrista nesse sentido. Além disso, Minas tem um destaque muito forte em pedidos de supermercado, sendo um dos estados que primeiro adotam esse tipo de conveniência.
Mardélio Couto: A plataforma precisa fazer algum tipo de adaptação especial para o público mineiro?
Diego Barreto: Sim, entendemos as particularidades regionais, especialmente em relação aos nomes dos produtos. O termo "pão de sal", muito usado em Minas, é fundamental na nossa ferramenta de pesquisa para que o consumidor consiga achar o que procura.
Mardélio Couto: E como esses dados ajudam as empresas e os donos de restaurantes que operam no iFood?
Diego Barreto: Esses dados servem para três grandes pilares. Primeiro, ajudam na expansão, permitindo que o restaurante entenda se um item já é muito consumido em outra cidade ou bairro. Segundo, servem como ferramenta de crescimento, ajudando a entender a frequência dos clientes e horários de pico para decisões de marketing. O terceiro elemento é o crédito através do iFood Pago. Hoje, temos quase R$ 700 milhões pré-aprovados para restaurantes mineiros financiarem capital de giro ou reformas.
Mardélio Couto: Quais as expectativas de investimentos e geração de empregos do iFood em Minas Gerais para o futuro?
Diego Barreto: Minas é um estado prioritário pela sua capacidade de criar bons restaurantes com alta expectativa de vida produtiva. Hoje, cerca de 100.000 pessoas trabalham na nossa cadeia em Minas, o que representa mais ou menos 0,5% do PIB mineiro. Para 2026, esperamos um crescimento de pelo menos 25% no estado, com destaque para Belo Horizonte, Contagem, Uberlândia, Uberaba e Juiz de Fora. Também prevemos que o volume de crédito levado ao estado suba para perto de R$ 800 milhões.
Mardélio Couto: Com acesso a esses números, você consegue ter um "raio X" da economia mineira e brasileira?
Diego Barreto: Sim, conseguimos enxergar a capacidade de consumo, a transferência de preços (inflação) nos cardápios e a capacidade de pagamento. A conclusão é que Minas tem uma boa capacidade de crescimento de renda e um patamar saudável de desemprego. O mineiro é muito organizado e planejado financeiramente, o que nos dá segurança para tomar mais riscos na oferta de crédito.
Mardélio Couto: Para encerrar, o que a classe política pode fazer para incentivar a economia e a geração de empregos nesse setor?
Diego Barreto: Primeiro, temos uma expectativa positiva com a reforma tributária para simplificação econômica. No curto prazo, precisamos de uma legislação clara para as entregas, eliminando a "zona cinzenta" que prejudica plataformas e estabelecimentos. Também é essencial o controle da inflação e, principalmente, a redução da taxa Selic. Se a Selic estivesse em 8% ou 9%, eu estaria pré-aprovando bilhões em crédito para Minas Gerais, e não apenas R$ 800 milhões.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.



