FIEMG aponta impacto limitado da tensão entre EUA e Venezuela na indústria mineira

Entidade afirma que Minas Gerais não tem dependência relevante de insumos venezuelanos e descarta risco de desabastecimento

Dados do CIN indicam baixa participação da Venezuela nas importações brasileiras de insumos

A Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) avalia que os efeitos da recente tensão entre Estados Unidos e Venezuela sobre a economia mineira tendem a ser limitados. Segundo a entidade, nem o Brasil nem Minas Gerais apresentam dependência significativa do petróleo ou de derivados venezuelanos, o que afasta riscos diretos de desabastecimento.

De acordo com a FIEMG, eventuais impactos devem ocorrer de forma indireta, principalmente por meio da volatilidade de preços e do aumento do risco geopolítico.

Dados do Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEMG indicam que, em 2024, o Brasil importou US$ 31,5 milhões em coque e betume da Venezuela. Embora Minas Gerais tenha sido o principal estado importador desses produtos, a participação venezuelana representou apenas 5% do total adquirido pelo país. No mesmo período, 68% das importações tiveram origem nos Estados Unidos, 11% na Colômbia e 6% na Argentina. Em 2025, segundo o levantamento, não houve registro de importações brasileiras de coque e betume provenientes da Venezuela.

No caso dos óleos refinados, o CIN aponta que as importações brasileiras de origem venezuelana somaram US$ 6 milhões, concentradas exclusivamente no estado do Amazonas. Esse volume correspondeu a apenas 0,06% do total importado pelo Brasil, com fornecimento majoritário vindo da Rússia, dos Estados Unidos, do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos.

Comércio entre Brasil e Venezuela

De acordo com a FIEMG, as exportações brasileiras para a Venezuela totalizaram US$ 838 milhões em 2025, o que representa uma queda de aproximadamente 30% em relação a 2024. O país respondeu por cerca de 0,24% do total exportado pelo Brasil no período, ocupando a 52ª posição entre os destinos das vendas externas.

Ainda segundo dados do CIN, os principais produtos exportados pelo Brasil para a Venezuela em 2025 foram açúcar de cana ou beterraba e sacarose pura, milho, arroz, pós para bebidas e preparações alimentícias diversas.

No sentido inverso, as importações brasileiras de produtos venezuelanos somaram US$ 349 milhões em 2025, retração de cerca de 17% na comparação com o ano anterior. Esse volume correspondeu a aproximadamente 0,12% do total importado pelo país, com a Venezuela figurando como o 61º fornecedor.

Entre os principais itens importados estão fertilizantes nitrogenados, alumínio em bruto, álcoois acíclicos e derivados, misturas asfálticas e carbono.

Relação comercial entre Minas Gerais e Venezuela

No recorte estadual, a FIEMG informa que as exportações de Minas Gerais para a Venezuela alcançaram cerca de US$ 45 milhões em 2025, crescimento próximo de 3% em relação a 2024. Apesar da alta, o país representou apenas 0,1% do total exportado pelo estado no ano.

Conforme o levantamento do CIN, o setor automotivo concentrou os maiores valores exportados, embora a participação venezuelana tenha sido limitada: 4,9% das exportações mineiras de tratores, 3,7% de veículos de passeio e 0,7% de caminhões de carga.

A FIEMG também destaca segmentos em que a Venezuela tem maior peso relativo como destino, ainda que com menor valor absoluto exportado. É o caso de rolhas de metais comuns para embalagens, nas quais o país concentra 43% das exportações mineiras; soro de leite coalhado, com 55%; creme de leite e concentrados adocicados, com 16%; itens alimentícios simples, com 14%; e água saborizada, que responde por 20% das exportações do segmento.

No campo das importações, a FIEMG informa que Minas Gerais não registrou compras de produtos de origem venezuelana em 2025. Em 2024, as importações se concentraram em coques, betumes de petróleo e fertilizantes, mas representaram cerca de 5% do total importado desses insumos pelo estado.

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Erem Carla é jornalista com formação na Faculdade Dois de Julho, em Salvador. Ao longo da carreira, acumulou passagens por portais como Terra, Yahoo e Estadão. Tem experiência em coberturas de grandes eventos e passagens por diversas editorias, como entretenimento, saúde e política. Também trabalhou com assessoria de imprensa parlamentar e de órgãos de saúde e Justiça. *Na Itatiaia, colabora com a editoria de Indústria.

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