“Temos visto incentivos para a compra de caminhões, mas também precisamos de incentivo para a infraestrutura. O país está travando, e Minas Gerais, principalmente, está travando por causa da infraestrutura.”
A afirmação é do presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (FETCEMG), Gladstone Lobato, durante o primeiro painel do Eloos Indústria, realizado nesta segunda-feira (3), em Belo Horizonte.
Com o tema “Custo Brasil: defesa comercial e logística na disputa pelo mercado global”, o debate reuniu representantes do setor produtivo para discutir os principais gargalos que afetam a competitividade da indústria brasileira.
Participaram do painel Gladstone Lobato, o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe; o presidente do Grupo MRV, Banco Inter, Log, CNN Brasil, Rádio Itatiaia, Urba, Resia e Conedi, Rubens Menin; e o professor e coordenador do Imagine Brasil, da Fundação Dom Cabral (FDC), Aldemir Drummond.
Durante sua participação, Gladstone apresentou a dimensão do setor de transporte de cargas em Minas e defendeu que a logística passe a ocupar um papel central nas discussões sobre desenvolvimento econômico.
Segundo ele, a FETCEMG representa 30,5 mil empresas, mais de 190 mil trabalhadores e cerca de 300 mil caminhões em circulação no estado.
Para o presidente da federação, o principal entrave para o crescimento da indústria mineira está na falta de investimentos em infraestrutura rodoviária.
“Nós temos a maior malha rodoviária do Brasil, mas estradas difíceis de serem transitadas. Dependendo do tipo de carga, o custo do transporte em Minas chega a ser mais de 30% maior do que em outros estados, principalmente São Paulo. Isso faz com que Minas Gerais deixe de ser competitiva”
Gladstone também destacou que o setor tem investido na formação de novos profissionais e na qualificação da mão de obra para enfrentar a escassez de motoristas.
“Estamos pagando carteiras de motorista, investindo na capacitação dos trabalhadores e buscando tornar as empresas mais competitivas. Mas o grande gargalo continua sendo a infraestrutura”,
Ao encerrar sua participação, o presidente da FETCEMG defendeu uma política pública voltada à melhoria da logística em Minas Gerais.
“Precisamos de uma política de governo voltada para a infraestrutura do nosso estado. Hoje, a produtividade é muito baixa e isso compromete toda a cadeia logística”,