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Ministro da Fazenda defende revisão no cálculo da inflação

Dario Durigan disse que modelo atual do IPCA ainda dá peso para itens que já perderam importância

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan • Washington Costa/MF

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu uma revisão no modelo de cálculo da inflação oficial do país, nesta segunda-feira (15). O chefe da equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que determinados itens perderam relevância real, mas ainda possuem peso no cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A declaração foi dada ao podcast Warren Política, do economista Felipe Salto. “A própria composição da inflação, tem muita gente que estuda e diz que tem uma defasagem. Nosso modelo dá peso para coisas que não têm o peso que tinham anteriormente. Coisas que hoje tem peso, como assinatura de streaming e serviços de nuvem, pesam muito mais que coisas que estavam na metodologia décadas atrás. Mudança não é ruim, desde que seja bem intencionada”, explicou.

Na ocasião, Durigan foi questionado sobre a possibilidade de aprimoramentos no boletim Focus do Banco Central. O relatório divulgado toda segunda-feira reúne projeções de diversas instituições financeiras sobre indicadores como o IPCA, a taxa básica de juros (Selic) e o câmbio. Contudo, economistas defendem mais transparência na pesquisa.

“A política fiscal tem impacto na monetária, e meu papel é fazer o melhor fiscal para o país. Se há uma constatação de que o Boletim Focus pode melhorar, no sentido de dar mais dados, transparência, incluir outros índices, acho importante que a gente avance para isso, sem correr o risco de dizer que queremos interferir. É um esforço coletivo melhorar a institucionalidade do país”, declarou.

Durigan também afirmou que não mexeria na meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), atualmente em 3%. Contudo, ele avalia que o mecanismo precisa ser alvo contínuo de aprimoramentos, inclusive para uma melhor relação entre a equipe econômica do governo federal e o Banco Central.

“Em várias frentes, seja na coordenação entre política fiscal e monetária, seja em outras políticas. Acho que a meta continua ainda não foi bem digerida, principalmente quem estuda e trabalha com meta de inflação, a gente precisa ter alguns ganhos que até podem ser impulsionados pelo fiscal”, completou.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.