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Mesmo sem anúncio da Petrobras, combustível tem reajuste em MG em meio à guerra

Motoristas relatam aumento no preço do etanol nos postos da capital; Governo Federal investiga possíveis abusos após tensão no Oriente Médio pressionar o mercado de combustíveis

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Charles Silva Duarte / Arquivo / Diário do Comércio

Com a guerra no Oriente Médio, a possível alta do combustível gera apreensão em todo o país. Em Minas, já são registrados reajustes e, por isso, o Governo Federal investiga indícios de abusos nos postos.Na capital, o destaque é o etanol, que, segundo os motoristas, já encareceu R$ 0,60 no litro nesta semana:

Motorista de aplicativo, Fabrício Tavares afirma que o impacto no bolso é grande, já que o abastecimento faz parte da rotina de trabalho. “Cheguei a pagar R$ 4,29 no litro de etanol. Hoje paguei R$ 4,89. São 60 centavos de diferença, é muita coisa. A gente abastece praticamente todos os dias, cerca de 25 a 30 litros”, disse.

Para quem trabalha dirigindo, como taxistas e motoristas de aplicativo, o impacto é ainda maior. O presidente do Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir), João Paulo de Castro Dias, afirma que qualquer reajuste no combustível afeta diretamente a renda da categoria.

“Quando o combustível sobe, o taxista deixa de ganhar e passa a gastar mais. Em média, o taxista roda entre 100 e 150 quilômetros por dia e precisa abastecer diariamente. No fim do mês, isso faz muita diferença no orçamento”, explicou.

Segundo ele, embora o preço das corridas seja tabelado, os aumentos acabam pressionando o setor. “A gente não quer repassar esse custo para o consumidor, mas precisa conseguir manter o trabalho e a ferramenta que é o táxi”, disse.

Práticas abusivas

O advogado especialista em direito do consumidor Bruno Teodoro explica que aumentos sem justificativa podem ser considerados abusivos. “O consumidor deve desconfiar quando os preços sobem sem explicação. A crise internacional pode influenciar, mas até agora o que existe é mais especulação do que impacto real”, afirmou.

Ele ressalta que, embora a precificação dos combustíveis no Brasil seja livre, os postos precisam respeitar limites de margem. “Em geral, considera-se abusivo quando o lucro ultrapassa cerca de 20%, configurando vantagem excessiva”, disse.

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Entre as irregularidades investigadas estão preços abusivos e suspeitas de cartel entre postos. Em caso de suspeita, consumidores podem procurar o Procon, a Delegacia de Defesa do Consumidor ou o Ministério Público.

O Minaspetro, sindicato que representa os postos de combustíveis em Minas Gerais, afirmou que acompanha a situação e alertou para dificuldades enfrentadas por revendedores.

Segundo a entidade, distribuidoras estariam impondo restrições na venda de combustíveis, principalmente para postos de bandeira branca, o que teria provocado episódios pontuais de falta de combustível em alguns estabelecimentos.

De acordo com o sindicato, o setor segue monitorando as bases de distribuição e mantém os revendedores informados sobre possíveis impactos no abastecimento no estado.

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Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, trabalhou na produção de matérias para a rádio, na Central Itatiaia de Apuração e foi produtora do programa Itatiaia Patrulha. Atualmente, cobre factual e é repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.