Com a chegada de janeiro, milhões de brasileiros sofrem com o aperto no bolso proveniente de cobranças pesadas típicas do período do ano. Com o pagamento de tributos como o IPTU e o IPVA, além de outros gastos como matrícula e material escolar das crianças, o mês exige do trabalhador preparação e cautela com o orçamento familiar.
A concentração de despesas previsíveis, somada ao consumo elevado no fim do ano, pressiona o orçamento logo nas primeiras semanas do ano. Após um período de alívio com o pagamento do 13º salário, o momento para aqueles que não conseguiram economizar a gratificação natalina é de atenção.
Segundo o planejador financeiro e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, o problema não está no calendário, mas na falta de planejamento das pessoas. “Janeiro apenas evidencia o que já vinha acontecendo ao longo do ano: orçamento apertado, ausência de reserva e pouco controle do fluxo financeiro”, disse.
De acordo com o especialista, a combinação entre custos fixos inevitáveis e gastos emocionais compromete a liquidez do orçamento, especialmente quando despesas previsíveis são transformadas em parcelamentos longos. O resultado costuma ser a perda de controle e entrada em linhas de crédito caras, como o rotativo do cartão.
Para se preparar, Sharau indica que o cidadão separe as despesas em camadas para atravessar os três primeiros meses do ano com mais tranquilidade. “Em momentos de aperto, a prioridade é proteger os gastos inevitáveis, reduzir com inteligência os importantes e cortar, sem culpa, os ajustáveis”, disse.
Entenda as três camadas de gastos
- Inevitáveis: impostos, matrícula e mensalidade escolar, contas essenciais, alimentação básica, saúde e transporte. Devem ser priorizadas e protegidas, pois são previsíveis e pouco flexíveis;
- Importantes: atividades extracurriculares, academia, assinaturas, planos de serviços e lazer recorrente. Podem ser reduzidas ou renegociadas em períodos de aperto;
- Ajustáveis: compras por impulso, delivery excessivo, trocas de marca por status, parcelamentos de itens desejáveis, eletrônicos fora de hora e reformas estéticas. Em momentos de pressão no orçamento, devem ser cortados sem culpa.
Sharau ainda afirma que o período, para além da contenção, pode se tornar um marco de reorganização financeira. Para ele, o primeiro passo é mapear o trimestre, listando vencimentos e valores estimados. O especialista ainda recomenda a criação de um “fundo janeiro” para o ano seguinte, diluindo ao longo dos meses as despesas que sempre se repetem no início do ano.
“Janeiro não pede milagre, pede organização e método. Quem protege o caixa, mantém a reserva e escolhe liquidez com inteligência, atravessa o trimestre sem se endividar e ainda preserva o hábito de investir, que é o que constrói patrimônio no longo prazo”, completou.