O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio trouxe uma
Com o Irã bombardeando países produtores no golfo pérsico, alegando que EUA e Israel usam os territórios vizinhos para ataques, o barril WTI já acumula uma alta de 11,92% na última semana, a US$ 83,45. Na mesma toada, o
Governo pede investigação do aumento no preço dos combustíveis em quatro estados GPA, dona da rede Pão de Açúcar, anuncia acordo para recuperação extrajudicial
A volatilidade é causada tanto pelos ataques iranianos, quanto pelo controle da República Islâmica no estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo comercializado no mundo. Apesar do aumento dos preços no mercado global, especialistas ainda não cravam que haverá um repasse para o mercado brasileiro em um horizonte próximo.
Segundo o economista André Braz, coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), tudo depende de quanto tempo o preço do barril do petróleo vai se manter em torno de cem dólares. Apesar da cautela, o especialista alerta que os impactos podem ser grandes.
“Foi um aumento muito forte, em um curto espaço de tempo, em cima de um item que atua em muitas cadeias produtivas. O petróleo influencia o preço dos combustíveis, que é a porta de entrada da inflação. Mas o espalhamento das pressões inflacionárias vão muito além do que a gente percebe em um possível encarecimento do diesel e da gasolina”, explicou em entrevista à Itatiaia.
Braz ressalta que toda a cadeia produtiva pode ficar mais cara e comprometer até a política monetária do Banco Central, que já havia sinalizado a possibilidade de fazer o primeiro corte na taxa básica de juros na reunião da semana que vem. Atualmente, a Selic está fixada em 15% ao ano, mas o mercado espera que até o final do ano ela encerre em 12,13%. “É um desafio a mais para botar a inflação na meta, dada a importância que o petróleo tem”, disse.
De acordo com um relatório dos analistas André Valério e Gustavo Menezes, do Banco Inter, o aumento do preço do petróleo pode valorizar o real, uma vez que o país é um dos maiores produtores da commodity no mundo. Por outro lado, o aumento traz preocupações relacionadas ao custo de vida.
“A gasolina é o item com maior peso individual no IPCA, respondendo por cerca de 5% do índice. Portanto, para cada 1% de alta no preço da gasolina nas bombas dos postos de combustíveis, o IPCA aumenta em 0,05 pontos percentuais”, ressalta.
Petrobras pode absorver o choque
Apesar do cenário de incerteza, os especialistas destacam que a
Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a Petrobras está vendendo o diesel 60% mais barato que o mercado externo, uma média de R$ 1,94 a menos, enquanto no caso da gasolina o preço é 35% menor (R$ 0,88).
“A Petrobrás tem uma margem para absorver esse choque, pelo menos incialmente, uma vez que o preço de distribuição tem ficado acima do preço importado ao longo desse início de 2026, diferentemente do que vimos em 2022, quando o conflito na Ucrânia iniciou em um momento em que os preços domésticos já estavam defasados em cerca de 10% frente ao internacional”, escrevem os especialistas do Inter.
Para André Braz, é difícil a Petrobras segurar o preço dos combustíveis com a disparada do barril de petróleo. Segundo o economista, o fator determinante é o tempo em que o conflito pode durar.
“Quanto mais tempo o conflito dura, os preços ficam sofrendo essa volatilidade, eles se sustentam em patamar mais alto, dada a incerteza. Se esse cenário de incerteza não ceder e o barril se sustentar nesse patamar em torno de 100 dólares por muito tempo, por mais dias, pode ser que haja necessidade de reajuste”, completou.