Itatiaia

Inflação mais 'comportada' abre oportunidades para investidores; entenda

Sinais de desaceleração da inflação aumentam expectativas para cortes nos juros, mas volatilidade ainda pressiona os preços

Por
Abono será pago aos trabalhadores nascidos em março e abril
Inflação dá sinais de controle • Marcello Casal Jr/Agência Brasi

A possibilidade de uma inflação mais comportada reacendeu as atenções do mercado financeiro, que agora avalia como essa tendência pode influenciar diretamente as decisões de investimento. Apesar dos sinais positivos, especialistas alertam que ainda é cedo para cravar que a inflação seguirá em queda consistente, com fatores como a volatilidade do petróleo continuando a pressionar as perspectivas.

Entre os sinais recentes está o recuo de 1,16% do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) no mês de julho. Em 12 meses, o índice acumula alta de 2,76%, um movimento puxado principalmente pela queda dos preços no atacado.

Embora o IGP-M não seja a principal referência para a política monetária brasileira, o resultado pode antecipar tendências para a inflação nos próximos meses. Consequentemente, isso tem potencial para influenciar as expectativas para a trajetória da taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) e o desempenho de diferentes classes de ativos.

Segundo Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, o recuo do IGP-M foi impulsionado principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), componente bastante sensível às commodities.

"O IGP-M é formado por três índices. O IPA caiu bastante por conta do petróleo. Como ele é muito influenciado pelos preços das commodities, costuma ser bem mais volátil que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)", destaca Fontes.

Ela ressalta, porém, que nem toda redução dos custos no atacado chega integralmente ao consumidor final. "Nem toda queda no preço das commodities acaba influenciando o IPCA. Muitas vezes, parte desse movimento é absorvida pelas margens das empresas", explica Marilia.

Apesar do recuo considerado positivo em julho, os especialistas do mercado reforçam que é prematuro concluir uma desaceleração inflacionária consistente. O comportamento recente do petróleo mostra que um único dado não deve, isoladamente, orientar decisões de investimento, avalia Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.

"Estamos olhando para a leitura de um mês em que houve uma queda importante do petróleo por causa do cessar-fogo no Oriente Médio. Como esse cenário mudou e o petróleo voltou a subir, a próxima leitura pode trazer uma pressão maior", observa Pascowitch.

Para os investidores, uma inflação mais comportada costuma abrir espaço para possíveis cortes na taxa Selic, cenário que tende a beneficiar diferentes classes de ativos.

"Com juros menores, o custo de financiamento das empresas diminui, o que tende a ser positivo para a bolsa. Por isso, acompanhar a inflação é fundamental para tomar decisões de investimento", afirma Thiago Godoy, educador financeiro.

Ao mesmo tempo, Bernardo Pascowitch destaca que o atual patamar das taxas da renda fixa pode representar uma oportunidade para quem busca investir em títulos públicos.

"Se a inflação continuar se comportando, é um bom momento para aproveitar títulos públicos. Não sabemos até quando essas rentabilidades vão durar. Tanto os títulos prefixados quanto os indexados ao IPCA ainda oferecem taxas bastante atrativas e podem fazer sentido na carteira", orienta o CEO do Yubb.

Por

Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.

 

 

Belo Horizonte