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Ibovespa inicia semana estável apesar de tensão geopolítica; dólar volta a cair

Bolsa teve uma leve alta de 0,03%, mesmo em dia com feriado nos EUA e novas ameaças de Trump contra a Europa

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A Petrobras, com ganhos de 4,89% na ON e de 4,36% na PN, contribuiu decisivamente  • Divulgação/B3

O feriado nos Estados Unidos em memória de Martin Luther King contribuiu para amortecer, no Brasil, o efeito da retomada na percepção de risco geopolítico, agora em torno da ambição do presidente Donald Trump pela Groenlândia. O Ibovespa, principal indicador do mercado de ações, não se distanciou da estabilidade ao longo da sessão desta segunda-feira (19) e encerrou em leve alta de 0,03%, aos 164.849,27 pontos.

Nesta segunda-feira, o índice da B3 contou com o suporte de Petrobras (ON +0,53%, PN +0,41%) e das ações de poucos bancos como Santander (Unit +0,69%) para suavizar o efeito negativo de Vale ON (-0,39%), principal papel do Ibovespa. Na ponta ganhadora do índice, Hapvida (+3,85%), IRB (+3,59%) e Cury (+2,94%). No lado oposto, Natura (-3,41%), CSN (-3,15%) e Raízen (-2,44%).

O dólar, por sua vez, fechou com uma queda de 0,16% aos R$ 5,36. A moeda americana perdeu força após ameaças de Trump de tarifar em 10% os produtos de países europeus que enviaram tropas para reforçar a Groenlândia. A fala do republicano levou investidores a reagirem com cautela. Cabe lembrar que, com o feriado nos EUA, o mercado de câmbio operou com liquidez reduzida.

Ao longo da semana, para além da questão geopolítica, a atenção dos mercados globais tende a se voltar para uma agenda carregada a partir da quarta-feira (21), quando os olhos e ouvidos estarão concentrados no discurso de Trump em Davos, que pode trazer novas sinalizações sobre política comercial e fiscal, aponta Bruno Botelho, especialista em câmbio da ONE Investimentos.

Na quinta-feira (22), a agenda prossegue com o PIB dos EUA, além dos pedidos semanais de seguro-desemprego e o núcleo do índice de preços PCE, métrica de inflação ao consumidor preferida do Federal Reserve.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, disse que "ainda é muito cedo" para avaliar o impacto das últimas tensões comerciais. E a China reagiu às declarações de Trump sobre a Groenlândia, pedindo que Washington abandone o que classificou como narrativa de "ameaça chinesa" para justificar interesses próprios na região.

Por fim, em outro desdobramento do dia, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que tentará se reunir com Trump na próxima quarta-feira em Davos para evitar uma nova escalada das tensões. Ele reiterou que os países europeus irão retaliar os EUA para proteger seus interesses, caso as tarifas anunciadas por Trump entrem em vigor.

"Há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, com Trump voltando a bater de frente com países europeus. É uma política de choque mais uma vez, com a ameaça de imposição de tarifas, o que traz um grau maior de volatilidade para os negócios com ativos de risco", diz Ramon Coser, especialista da Valor Investimentos.

Ainda que tenha ficado no pano de fundo da sessão, o mercado tomou nota, de forma positiva, da entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao Uol, observa Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. "Sobretudo por conta do apoio institucional dado pelo ministro ao Banco Central, no que tange à condução da política monetária e, principalmente, ao processo de intervenção e liquidação do Banco Master", acrescenta.

*Com Estadão Conteúdo

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