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B3 prevê novos IPOs com fim da seca após abertura da Compass

Executivos da Bolsa de Valores brasileira demonstra otimismo com a retomada de operações no mercado de capitais

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Bolsa teve primeiro IPO desde 2021 nesta segunda-feira (11) • Leandro Martins | B3

O fim da seca de quase cinco anos sem ofertas públicas iniciais (IPO na sigla em inglês) com a abertura do grupo Compass Gás e Energia, nesta segunda-feira (11), injeta ânimo no mercado de capitais. Executivos da B3 analisam que a operação pode impulsionar novas ofertas em um futuro próximo, especialmente em setores mais dependentes de um financiamento robusto, como infraestrutura e agronegócio.

O tradicional toque de campainha da Compass na sede da B3, em São Paulo, levantou R$ 3,2 bilhões na soma da oferta base e dos lotes extras de ações. Os papéis da companhia passaram a ser negociados pelo código PASS3, que estreou com uma queda de 0,89% a R$ 27,75.

A última operação de oferta inicial havia ocorrido em 2021, quando 47 empresas foram listadas em um cenário econômico de taxa de juros baixa e liquidez global elevada. Para a vice-presidente de Pós-Negociação e Emissores da B3, Viviane Basso, a abertura da Compass pode destravar o mercado em um novo ciclo de queda de juros.

“Claro que é um ano de eleição com bastante volatilidade, mas acreditamos que este movimento é um movimento de reabertura de janela. (...) Um pouco mais de 50 empresas já estão nesse caminho. Então, sem dúvida alguma, é um primeiro passo que a gente espera que outras acompanhem”, disse a executiva.

Capital estrangeiro alimenta o otimismo

Ainda de acordo com Basso, o otimismo é justificado pela movimentação de capital estrangeiro na bolsa brasileira, alinhado ao ciclo de cortes da Selic, que recuou de 15% para 14,5% desde o início do ano. Segundo um levantamento da consultoria Elos Ayta, a entrada líquida de recursos estrangeiros na B3 soma R$ 56,54 bilhões até abril de 2026, volume 2 vezes superior ao fluxo registrado em 2025 (R$ 25,47 bilhões).

“O fluxo expressivo de recursos estrangeiros no Brasil é um sinal claro da confiança dos investidores no nosso mercado Juros altos levam os investidores para a renda fixa. Mas na medida em que os juros começam a cair, o mercado de capitais brasileiro se torna bastante atrativo não só para investidores locais, mas também para investidores estrangeiros”, disse.

Para Flávia Mouta, diretora de Emissores e Relacionamento da B3, o otimismo é “bastante intenso” com o novo olhar do investidor estrangeiro para o mercado brasileiro. Ela pondera que 2026 é desafiador, considerando que ano de eleições é marcado por menos operações no mercado financeiro, mas que as empresas precisam estar prontas.

“Um IPO não acontece da noite para o dia. Essas operações demandam tempo, trabalho e bastante energia das companhias e dos bancos que estão coordenando as operações. Para isso, elas precisam estar prontas para quando a janela sinalizar uma retomada e aproveitar esse momento de mercado”, declarou.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.