INSS limita pedidos de aposentadoria e outros benefícios; saiba mais
Medida busca reduzir fila de análise de benefícios e evitar múltiplos pedidos idênticos

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passou a limitar novos pedidos de aposentadoria, pensão e Benefício de Prestação Continuada (BPC) por segurados, ou representantes, quando a solicitação for para o mesmo tipo de benefício, enquanto houver um processo em análise ou dentro do prazo de recurso administrativo.
A medida, que segundo o INSS busca reduzir a fila de análise de benefícios e evitar múltiplos pedidos idênticos, foi oficializada pela Instrução Normativa nº 203, publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última sexta-feira (24) e já está em vigor.
Dados divulgados pelo INSS apontam que a fila de espera para benefícios como aposentadorias, pensões e o BPC diminuiu — passando de 3,1 milhões para 2,7 milhões em março deste ano.
A regra não se aplica aos pedidos de revisão, nem aos benefícios por incapacidade. Vale destacar que a restrição também não vale para pedidos de revisão, que podem ser solicitados normalmente.
Antes da nova regra, o INSS seguia um processo que organizava os pedidos, mas não proibia, de forma clara, a realização de um novo pedido para o mesmo benefício, enquanto o primeiro ainda estava em análise ou dentro do prazo de recurso.
Assim, os segurados tinham a possibilidade de fazer um novo pedido mesmo com o anterior em andamento. Mas, a partir de agora, será considerado "processo em curso" aquele pedido cujo o prazo para apresentação de recursos administrativo ainda não tenha terminado.
A medida institui que, após uma negativa do INSS, o segurado terá que aguardar o prazo de recurso, geralmente de 30 dias, antes de fazer um novo pedido do mesmo benefício.
Em entrevista ao Chamada Geral, da Itatiaia, o advogado Juliardi Ziviani afirmou acreditar que a mudança não irá alterar tanto o processo de requerimentos. "Acredito que [a medida] será aplicada um pouco mais para a questão de auxílio-doença. Hoje existem muitos requerimentos de afastamento temporário que as pessoas fazem. Acredito que seja mais para isso, ou então para aqueles casos de pessoas que recorrem e o processo fica em análise deste recurso para ser julgado", explicou.
Porém, Ziviani diz não enxergar a nova regra como uma solução para reduzir a fila de análise de benefícios. "Vejo um problema. O INSS está dizendo que vai diminuir a fila de espera, mas proibindo pessoas de fazer um requerimento, ou demorando a analisar um benefício. Assim, o segurado não consegue requerer outro pedido", contou.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



