Brasil e Estados Unidos decidem nova taxa de juros em meio a guerra e inflação
Bancos Centrais divulgam nesta quarta-feira (29) os rumos da política monetária de seus países

Os bancos centrais de Brasil e Estados Unidos decidem, nesta quarta (29), a condução da política monetária com decisões sobre suas respectivas taxas de juros, em meio às incertezas causadas pela guerra no Oriente Médio. A crise no mercado de combustíveis pressiona os preços nos dois países, resultando em alta na inflação.
O conflito diminuiu a margem do Federal Reserve (FED) para cortar as taxas nos Estados Unidos, com o mercado esperando a manutenção do intervalo de juros em 3,50% a 3,75%. A reunião também marca o provável encerramento do mandato do presidente Jerome Powell, que manteve duros embates com Donald Trump ao longo do último ano.
No Brasil, economistas observam que a taxa Selic possui pouco efeito para controlar a inflação causada pelo choque de preços da guerra. Nesse caso, as projeções indicam que a taxa deve ser cortada em 0,25 ponto percentual (p.p), impactada principalmente pela queda no câmbio (R$ 5,00).
A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve levar a Selic para 14,50%, enquanto a manutenção dos juros nos Estados Unidos vai favorecer o intervalo nas taxas entre os dois países e contribuir para a valorização do real.
Um diferencial elevado contribui para uma estratégia de investimento que é chamada de “carry trade”, que consiste em tomar empréstimos nos Estados Unidos com juros baixos e investir em ativos de outra moeda com juros mais altos. Nesse caso, há também uma redução na pressão de depreciação cambial na inflação.
Segundo projeções da equipe econômica do Banco Inter, a Selic média deve ser mais alta ao longo de 2026, terminando o ano em 12,75%. “A taxa está em patamar ainda bastante restritivo, e por período prolongado, o que vem resultando em desaceleração na demanda principalmente via crédito, o que indica que o efeito do aperto monetário deve continuar. Assim, as projeções mais longas para a inflação seguem mostrando convergência, ainda que lenta, para a meta”, diz um relatório publicado nessa segunda-feira (27).
A prévia da inflação medida pelo IPCA-15 acelerou a 0,89%, segundo dados do IBGE publicados nessa terça-feira (28). No ano, o indicador acumula alta de 2,39% e, nos últimos 12 meses, de 4,37%, acima dos 3,90% observados nos 12 meses fechados em março.
O resultado é maior do que o esperado pelo mercado financeiro, que estimava uma alta de 1,01% com o impacto do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no preço do barril do petróleo e nos combustíveis. Com efeito, os grupos que mais subiram foram Alimentação e Bebidas (1,46%) e Transportes (1,34%), mais impactados pela alta na commodity.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



