Prévia da inflação sobe 0,86% com alta em todos os grupos
No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,39% e, nos últimos 12 meses, de 4,37%, segundo dados do IBGE

A prévia da inflação de abril, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) divulgado nesta terça-feira (28), subiu 0,89% com alta em todos os grupos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,39% e, nos últimos 12 meses, de 4,37%, acima dos 3,90% observados nos 12 meses fechados em março.
O resultado é maior do que o esperado pelo mercado financeiro, que estimava uma alta de 1,01% com o impacto do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no preço do barril do petróleo e nos combustíveis. Com efeito, os grupos que mais subiram foram Alimentação e Bebidas (1,46%) e Transportes (1,34%), mais impactados pela alta na commodity.
Em alimentação e bebidas, o resultado foi influenciado, principalmente, pela alta na alimentação no domicílio, que acelerou de 1,10% em março para 1,77% em abril. Os preços dos seguintes produtos contribuíram para o resultado: cenoura (25,43%), da cebola (16,54%), do leite longa vida (16,33%), do tomate (13,76%) e das carnes (1,14%).
Já nos transportes, que teve o segundo maior impacto no índice geral (0,27 p.p.), o impulso foi no preço dos combustíveis, que passou de -0,03% em março para 6,06% em abril. A gasolina (6,23%) foi o principal impacto individual no índice do mês (0,32 p.p.), após ter recuado 0,08% em março.
Para o economista sênior do Banco Inter, André Valério, o resultado traz surpresa de baixa, mas não é um grande alívio. Segundo ele, apesar do resultado, segue a expectativa para um corte de 0,25 ponto percentual (p.p) na taxa de juros por parte do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).
“A perspectiva de um preço do petróleo mais elevado deve manter a pressão sobre os preços no curto prazo, aumentando a necessidade de cautela por parte do Comitê. Esperamos que a Selic média seja mais alta ao longo de 2026, e projetamos que a taxa termine o ano em 12,75%. Mesmo com a inflação mais elevada, tanto para 2026 como para 2027, a taxa está em patamar bastante restritivo, e por período prolongado, o que tem resultado em desaceleração na demanda”, explicou.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



