Importação de máquinas agrícolas e de construção triplica em 4 anos e preocupa indústria
O número preocupa devido a uma possível desvalorização da indústria nacional frente a produtos importados

A importação de máquinas agrícolas e de construção triplicou entre os anos de 2020 e 2024, conforme estudo apresentado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nesta quinta-feira (23). O salto de 9 mil para 26,4 mil unidades é um motivo de preocupação, destacou o presidente da entidade, Márcio de Lima Leite, em coletiva de imprensa.
Segundo Leite, o número preocupa devido a uma possível desvalorização da indústria nacional frente a produtos importados. De acordo com o levantamento da Anfavea com 29 licitações contemplando 2.132 máquinas, 32% dos equipamentos autopropulsados comprados pelo governo federal foram de empresas sem etapas fabris no País.
A China correspondeu por 55,7% das importações em 2024, liderando o setor de construção, seguida pela Índia, com 26,4%.
Conforme a Anfavea, o crescimento acentuado das compras de máquinas autopropulsadas produzidas fora do país impactou a balança comercial (ou seja, a diferença entre exportações e importações) e levou a um déficit de 5,8 mil unidades em 2024, ante o superávit de 3,8 mil em 2020.
Como foram as exportações
Segundo a associação, as exportações cresceram 1,6 vez, de 12,8 mil unidades em 2020 para 20,6 mil unidades para 2024. Leite atribui o aumento à qualidade do produto brasileiro e "como ele é capaz de atender países considerados exigentes, como Estados Unidos e Canadá".
A Anfavea prevê estabilidade nas vendas de máquinas agrícolas em 2025. No ano passado, foram vendidos no País 48,9 mil equipamentos, número que deve se manter este ano. Quanto às exportações, a expectativa é de aumento de 1%, para 6,1 mil máquinas agrícolas exportadas, ante 6 mil unidades em 2024.
A necessidade de taxas de juros atrativas
Segundo o vice-presidente da Anfavea, Alexandre Miranda, fatores como o dólar valorizado e a expectativa de safra de grãos recorde não devem significar necessariamente um aumento nas vendas.
"O que faz com que o agricultor tenha apetite para investimentos é a taxa atrativa de financiamento", disse, lembrando o mais recente aumento da taxa básica de juro da economia, a Selic, e da perspectiva de novas elevações na taxa de juros básica.
A vice-presidente da Anfavea, Ana Helena Andrade, ressaltou, ainda, a necessidade e a tendência de uma maior equalização de taxas no novo Plano Safra (2025/26), conforme expectativa da associação.
"Aguardamos atenção maior do governo federal", afirmou. "A expectativa é de que o financiamento motive o agricultor a investir mais, produzir mais e alimentar mais pessoas." Para o presidente da Anfavea, o segundo semestre do ano pode ter uma maior venda de máquinas, a depender de linhas atrativas de financiamento.
A agenda prioritária da Anfavea em 2025 inclui atenções voltadas para linhas de financiamento do governo, aperfeiçoamento na política de compras públicas sem prejuízo à indústria local, renovação de frota, políticas de garantia e financiamento para exportação e recomposição da alíquota do imposto de importação em 14%.
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