Fed mantém juros nos EUA inalterados pela quarta reunião seguida
Grupo tomou a decisão em apoio ao seu mandato duplo, onde utiliza a política monetária para controlar a inflação e manter o nível de empregabilidade

O Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa de juros do país na faixa entre 3,5% e 3,75%. A reunião desta quarta-feira (17) é a quarta seguida em que a autoridade monetária americana mantém os juros estáveis no país, a primeira sob a presidência do economista Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump.
Segundo o comunicado do Fed, o grupo tomou a decisão em apoio ao seu mandato duplo, onde utiliza a política monetária para controlar a inflação e manter o nível de empregabilidade dos Estados Unidos. A nota divulgada destaca que a atividade econômica dos EUA se expande em ritmo sólido, apesar da incerteza com o conflito no Oriente Médio.
“O crescimento da produtividade e o investimento de capital são fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego apresentou pouca variação”, disse o comunicado.
O grupo também afirmou que a inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do Comitê, refletindo, em parte, choques de oferta que impulsionam aumentos de preços em certos setores, incluindo o de combustíveis. “O Comitê buscará a estabilidade de preços”, completa o comunicado.
A decisão já era esperada pelo mercado financeiro, que inclusive aposta em um aumento nos juros dos EUA no final do ano, apesar da pressão de Trump para cortes na taxa. A novidade é que a manutenção foi uma escolha unânime entre os diretores do Fed, o que não ocorria desde o ano passado.
Acordo EUA e Irã
O comunicado sucinto do Fed sugere que as projeções foram feitas antes da assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã para suspender as agressões por 60 dias e negociar uma paz duradoura no Oriente Médio. Para André Valério, economista sênior do Banco Inter, é possível que essas projeções sejam revisadas em setembro.
“De modo geral, a decisão veio em linha com o esperado. Warsh é um crítico da comunicação oficial do Fed, tendo dito durante seu processo de nomeação que o Fed “fala demais”, portanto, um comunicado mais sucinto vai em linha com essa visão e sugere que sob o mandato de Warsh deveremos ver menos forward guidance por parte do banco central americano”, disse o especialista.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



